Ministério Público de Santa Catarina solicita exumação do corpo do cão Orelha e aprofundamento das investigações
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deu um novo passo na investigação sobre a brutal agressão ao cão comunitário Orelha. Em uma solicitação à Justiça nesta segunda-feira (9), o órgão pediu a exumação do corpo do animal para a realização de um exame pericial detalhado. A medida visa esclarecer as circunstâncias da morte e coletar mais evidências, embora o MPSC tenha ressalvado que a diligência só deve ocorrer “se possível”, ciente das limitações técnicas.
O cão Orelha, figura querida na Praia Brava, em Florianópolis, foi vítima de uma agressão severa no início de janeiro. A gravidade dos ferimentos levou o animal a ser submetido à morte assistida por um médico veterinário. A motivação por trás deste ato cruel ainda permanece um mistério, gerando indignação e clamor por justiça.
Inicialmente, o inquérito apontou quatro jovens como suspeitos. Contudo, ao longo das investigações, o número de acusados foi reduzido para um único suspeito, para quem foi recomendada a internação compulsória. No entanto, o andamento do processo levantou dúvidas sobre a condução do trabalho policial, levando o MPSC a pedir mais esclarecimentos.
Promotorias apontam falhas e pedem novas diligências
As promotorias responsáveis pelo caso expressaram insatisfação com as conclusões apresentadas pela Polícia Civil. A 2ª Promotoria de Justiça de Florianópolis enfatizou a necessidade de “esclarecimentos específicos” para apurar a existência de uma possível coação no decorrer do processo. Há dúvidas sobre a relação entre a conduta de adultos, que seriam os supostos autores da coação, e o adolescente acusado de maltratar o animal.
Diante dessas incertezas, o MPSC solicitou a realização de novos depoimentos para aprofundar a compreensão dos fatos. A 10ª Promotoria de Justiça, por sua vez, pediu o “aprofundamento de diligências” sobre os quatro boletins de ocorrência registrados. A solicitação inclui a anexação de vídeos de atos infracionais e registros que envolvam suposta violência contra outros cães.
Relembre o caso Orelha e a investigação paralela
As investigações da Polícia Civil indicam que Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro. Ele foi encontrado ferido e agonizante por moradores, sendo levado a uma clínica veterinária, onde a eutanásia foi realizada no dia seguinte. A repercussão do caso gerou manifestações em diversas capitais do país e reacendeu o debate sobre a redução da maioridade penal.
Um outro caso envolvendo um cachorro chamado Caramelo também foi investigado. O grupo de jovens suspeitos teria agredido este animal, que teria sobrevivido a uma tentativa de afogamento. No entanto, o inquérito concluiu que Caramelo foi apenas jogado no mar, sem sofrer prejuízos. A investigação policial também descartou qualquer relação entre os adolescentes envolvidos no caso de Orelha e a ocorrência com Caramelo.