Novo depoimento à PF liga Lulinha a "Careca do INSS" em viagens a Portugal para projeto de cannabis

Novo depoimento à PF liga Lulinha a “Careca do INSS” em viagens a Portugal para projeto de cannabis

Resumo

Novo depoimento à PF detalha relação entre Lulinha e “Careca do INSS” em Portugal

A publicitária Danielle Miranda Fonteles prestou novo depoimento à Polícia Federal (PF) e confirmou a participação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em viagens e visitas a instalações industriais em Portugal. Essas atividades estariam ligadas a um projeto empresarial conduzido por Antônnio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, figura central em investigações de desvios bilionários.

Segundo Fonteles, que prestava consultoria ao empresário, Lulinha esteve presente em agendas relacionadas à implantação de uma fábrica de produtos à base de cannabis no país europeu. O filho do presidente Lula teria participado das visitas como convidado de Antunes, mas sem envolvimento ativo em negociações ou papel operacional, de acordo com o relato.

As informações foram reveladas pela revista Veja e confirmadas pela Gazeta do Povo. O depoimento integra o conjunto de elementos analisados pela PF no âmbito das investigações sobre as fraudes no INSS. A defesa de Lulinha reitera que sua participação na viagem era pública e ocorreu antes das suspeitas contra Antunes, negando qualquer vínculo com os negócios investigados.

Amiga em comum apresentou Lulinha ao “Careca do INSS”

A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, confirmou em depoimento à PF que foi a responsável por apresentar Fábio Luís Lula da Silva ao “Careca do INSS”. A ligação entre os três ganhou destaque após a notícia de que Lulinha teria viajado a Portugal em novembro de 2024, com despesas pagas por Antunes, para conhecer instalações voltadas à produção de cannabis medicinal.

Documentos apreendidos pela PF indicam que o “Careca do INSS” negociava a aquisição de um imóvel industrial em Portugal para um empreendimento de cannabis. As negociações ultrapassariam 2,5 milhões de euros, com um sinal de aproximadamente 100 mil euros, mas foram interrompidas com a prisão de Antunes. A PF, contudo, afirma não ter elementos que liguem Lulinha às negociações ou que o configurem como sócio.

Roberta Luchsinger também se tornou alvo de atenção nas investigações. A PF identificou transferências de cerca de R$ 1,5 milhão de empresas ligadas a Antunes para uma companhia vinculada a ela. Em mensagens apreendidas, Antunes teria determinado o envio de R$ 300 mil para uma empresa registrada em nome da empresária, referindo-se ao destinatário final como “o filho do rapaz”, o que levou os investigadores a apurarem uma possível referência a Lulinha.

Defesa de Lulinha nega envolvimento e reforça caráter empresarial da viagem

A defesa de Lulinha reforça que a viagem a Portugal teve caráter exclusivamente empresarial, focada no setor de cannabis medicinal. Os advogados sustentam que Fábio Luís Lula da Silva não possui qualquer vínculo com os negócios investigados, nega o recebimento de recursos do empresário ou de suas empresas e afirma que o depoimento de Danielle Miranda Fonteles corrobora a inexistência de envolvimento em irregularidades.

A publicitária Danielle Miranda Fonteles relatou à PF que recebia remuneração mensal pela consultoria e negou ter sociedade com Antunes, explicando que as transferências financeiras recebidas de empresas ligadas ao “Careca do INSS” originaram-se de uma negociação imobiliária. A defesa de Roberta Luchsinger alega que ela tem sido injustamente associada ao caso e que suas atividades não configuram prática ilícita.

Investigações sobre fraudes no INSS e a conexão com Lulinha

O nome de Lulinha surgiu em depoimentos, registros de viagens e documentos analisados pela PF nas investigações sobre as fraudes bilionárias no INSS. Embora não seja formalmente investigado, sua aproximação com Antunes é um dos pontos de interesse. A CPMI que tratava das fraudes também apurou o pagamento de passagens e hospedagem a Lulinha em Portugal pelo lobista, mas não aprofundou essa linha investigativa antes de seu encerramento.

As investigações apontam que a aproximação entre Lulinha e o “Careca do INSS” ocorreu por intermédio de Roberta Luchsinger. Além da viagem internacional, os dois teriam participado de encontros em Brasília. A defesa de Lulinha insiste que não houve participação em negócios nem recebimento de valores ligados ao esquema investigado, mantendo a versão de que a viagem teve fins estritamente empresariais e de prospecção.

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