Justiça eleitoral do Peru estima divulgação do resultado definitivo do primeiro turno presidencial para a primeira quinzena de maio, um mês após a votação.
A Justiça eleitoral do Peru informou neste sábado (18) que o resultado definitivo do primeiro turno da eleição presidencial no país andino, cuja votação ocorreu no domingo (12) e na segunda-feira (13), deve ser conhecido na primeira quinzena de maio. O prazo foi estimado por Yessica Clavijo, secretária-geral do Juri Nacional de Eleições (JNE), que ressaltou a necessidade de tempo para definir quem disputará o segundo turno.
A demora na divulgação dos resultados oficiais se deve à análise de mais de 5,2 mil atas que foram impugnadas por apresentarem inconsistências ou irregularidades. Essa análise é crucial para definir o adversário de Keiko Fujimori no segundo turno, marcado para 7 de junho. A diferença entre o segundo e o terceiro colocados na apuração parcial é mínima, gerando apreensão.
A eleição presidencial no Peru tem sido marcada por falhas logísticas e denúncias de fraude, o que tem contribuído para o clima de incerteza. A falta de urnas em alguns locais de votação impediu que mais de 63 mil eleitores exercessem seu direito ao voto no domingo, levando à prorrogação da votação para a segunda-feira. Conforme informação divulgada pela agência EFE, esses eventos aumentaram a desconfiança no processo.
Atrasos e Impugnações: O Que Está Causando a Demora?
Yessica Clavijo, secretária-geral do Juri Nacional de Eleições (JNE), declarou à emissora RPP que a expectativa é ter os resultados presidenciais até a primeira quinzena de maio. “Esperamos ter os resultados da eleição presidencial até a primeira quinzena de maio, no mínimo, o que é necessário para definirmos o segundo turno”, afirmou Clavijo. A análise de mais de 5,2 mil atas impugnadas é o principal fator que tem prolongado o processo de apuração.
Keiko Fujimori Lidera, Mas Adversário no 2º Turno Ainda é Incerto
Com 93,5% dos votos apurados, Keiko Fujimori aparece na liderança com 17,1% dos votos. O esquerdista Roberto Sánchez ostenta 12%, enquanto o conservador Rafael López Aliaga tem 11,9%. A diferença de apenas 13 mil votos entre o segundo e o terceiro colocados torna a análise das atas impugnadas ainda mais crítica para a definição do segundo turno.
Denúncias de Fraude e Problemas Logísticos Abalam a Confiança no Processo Eleitoral
A eleição peruana tem sido palco de falhas e denúncias de fraude. A falta de urnas em locais de votação resultou em mais de 63 mil eleitores sem poder votar no domingo, o que levou à prorrogação da votação para segunda-feira. Esse problema logístico gerou desdobramentos legais, com a prisão de José Samamé Blas, gerente de gestão eleitoral do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), após assumir responsabilidade pelos atrasos.
O procurador do JNE, Ronald Angulo, apresentou queixa-crime contra o diretor do Onpe, Piero Corvetto, pelas falhas registradas. Juan Alvarado Pfuyo, representante legal da empresa terceirizada Galaga S.A.C., e três funcionários do Onpe, incluindo Samamé, também foram denunciados. A situação se agravou com a denúncia de que cerca de 1,2 mil cédulas de votação foram encontradas no lixo em Lima, levantando sérias suspeitas sobre a integridade do processo.
Oferta de Recompensa e Suspeitas de Sabotagem
Rafael López Aliaga, que alega ter ocorrido fraude para tirá-lo do segundo turno, ofereceu uma recompensa de 20 mil sóis (aproximadamente R$ 29 mil) a quem fornecer informações verídicas e comprováveis sobre possíveis irregularidades, fraudes ou sabotagens na eleição. Essa medida reflete a profunda desconfiança que paira sobre o processo eleitoral peruano, com a Justiça Eleitoral do Peru trabalhando intensamente para esclarecer todas as inconsistências antes de anunciar os resultados finais.