PGE se manifesta contra suspensão de pesquisa que ligou Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro
A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) se posicionou contra a decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, que suspendeu uma pesquisa do Instituto AtlasIntel. A pesquisa em questão associou o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A AtlasIntel apresentou aos entrevistados um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, divulgado pelo site The Intercept Brasil. No áudio, o senador cobra Vorcaro sobre um financiamento prometido para o filme “Dark Horse”.
O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, avaliou que não há elementos suficientes para justificar a suspensão da pesquisa. Essa manifestação da PGE foi divulgada pelo portal g1.
Justiça Eleitoral e Liberdade de Pesquisa
Para a Procuradoria, a Justiça Eleitoral não deve interferir nos temas abordados por institutos de pesquisa. A exceção seria apenas em casos onde fique comprovada a quebra objetiva do dever de equidistância e imparcialidade no levantamento científico.
Alexandre Espinosa ressaltou que não pode haver restrição judicial baseada apenas em insatisfação com o conteúdo das perguntas ou discordância com a metodologia adotada. A autonomia metodológica dos institutos é um ponto chave na defesa da PGE.
O Diretório Nacional do PL havia alegado que a pesquisa manipulou a opinião dos entrevistados para prejudicar a imagem de Flávio Bolsonaro. O partido sustentou que a pesquisa utilizou “estímulos narrativos” negativos antes das perguntas sobre intenção de voto.
PGE Afasta Tese de Manipulação na Pesquisa Eleitoral
A PGE apontou que a manipulação alegada pelo PL não foi comprovada. A Procuradoria destacou que o próprio pré-candidato envolvido no diálogo não negou a veracidade dos fatos. Isso, segundo a PGE, enfraquece a tese de quebra de cadeia de custódia.
Ao analisar o pedido de suspensão, o ministro Nunes Marques considerou as pesquisas eleitorais como instrumentos “poderosos” capazes de influenciar a legitimidade do pleito e a “paridade de armas” entre os candidatos.
Nunes Marques entendeu que a sequência de perguntas na pesquisa parecia extrapolar a neutralidade estatística. Ele sugeriu que os estímulos poderiam “contaminar” as respostas subsequentes, levando à proibição da pesquisa em canais oficiais.
Defesa da AtlasIntel e Metodologia da Pesquisa
Em sua defesa, a AtlasIntel argumentou que o questionário respeitou sua autonomia metodológica. A empresa afirmou que os quesitos visavam apenas aferir a percepção do eleitor sobre fatos públicos amplamente divulgados pela imprensa.
A empresa sustentou ainda que o uso de componentes audiovisuais, como o áudio, ocorria apenas após a colheita da intenção de voto. Isso, segundo a AtlasIntel, impediria a indução dos resultados principais.
Em nota após a decisão liminar, a AtlasIntel defendeu a pesquisa, declarando confiança no TSE para esclarecer a situação e afirmar a robustez técnica e legalidade do estudo. A pesquisa ouviu 5.032 pessoas por formulário eletrônico entre 13 e 18 de maio de 2026, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
O Conteúdo do Áudio Atribuído a Flávio Bolsonaro
O áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, divulgado pelo Intercept, data de 8 de setembro de 2025. Nele, o senador cobra Daniel Vorcaro sobre o financiamento prometido para o filme sobre Bolsonaro. Flávio menciona que estava passando por um “momento dificílimo” e que tinha “muita conta para pagar”.
Na mensagem, Flávio expressa preocupação com o efeito negativo que o atraso no pagamento poderia causar, citando nomes como Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh. Ele enfatiza a necessidade de honrar os compromissos na reta final da produção do filme para não perder contratos, atores e equipe.