Caminhoneiros sofrem com longas esperas na Ponte da Integração Brasil-Paraguai
A recém-inaugurada Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu, no Brasil, a Presidente Franco, no Paraguai, está se mostrando um gargalo para o transporte de cargas. Apesar da expectativa de melhorar a logística internacional e desafogar a antiga Ponte da Amizade, as primeiras semanas de operação parcial têm sido marcadas por **longas filas e esperas que podem chegar a 24 horas** para os caminhoneiros.
A operação limitada, restrita a caminhões vazios e em horários específicos, concentra o fluxo e causa transtornos. Motoristas relatam dias de espera para cruzar a fronteira, o que acarreta **prejuízos financeiros, cansaço e insegurança**, especialmente durante os pernoites em espera pelo desembaraço aduaneiro.
Além dos problemas de fluxo, as estruturas das aduanas, tanto do lado brasileiro quanto do paraguaio, apresentam **falhas desde a entrega das obras**. Vazamentos, problemas em forros, falhas em ar-condicionado e iluminação são alguns dos defeitos apontados. Conforme informação divulgada pela fonte original, o empreiteiro João Luiz Félix afirmou que os problemas de infraestrutura serão resolvidos até fevereiro, mas construtoras e órgãos fiscalizadores paraguaios ainda não se pronunciaram.
Reforço na fiscalização aumenta tempo de travessia
Um dos fatores que contribuem para o aumento do tempo de espera na Ponte da Integração é o **reforço nos controles migratórios e sanitários**. Diferente do que ocorria na Ponte da Amizade, agora é exigido o registro migratório em ambos os países, procedimento que, segundo o delegado da Alfândega da Receita Federal, César Vianna, **demora mais, mas é importante**. A fiscalização de alimentos também foi intensificada, com apreensão de produtos proibidos pela legislação sanitária.
As autoridades federais destacam que esses procedimentos seguem protocolos legais e fazem parte da adaptação a um novo modelo de controle fronteiriço. Apesar dos transtornos iniciais, a expectativa é que a retirada dos caminhões da Ponte da Amizade já tenha **melhorado o trânsito urbano em Foz do Iguaçu**, com benefícios a médio e longo prazo.
Próximas fases e restrições na Ponte da Integração
A operação da Ponte da Integração prevê a inclusão de ônibus de turismo na segunda fase, a partir do dia 19, também no período noturno. Para março, está agendada uma avaliação para definir a liberação de outros tipos de tráfego. O governo paraguaio sinalizou com a proposta de permitir o trânsito vicinal fronteiriço, facilitando a vida de quem mora em um país e trabalha ou estuda no outro, mediante identificação específica.
Por enquanto, brasileiros que se dirigem ao Paraguai para compras, exceto as de subsistência, não podem cruzar a Ponte da Integração. Não há previsão para cota de produtos, e mercadorias encontradas serão apreendidas. Esse esquema restrito de funcionamento deve perdurar até **meados de 2027**, quando se espera a conclusão das obras complementares na cidade paraguaia de Presidente Franco.
Caminhoneiros e sindicatos cobram melhorias urgentes
Diante do cenário atual, caminhoneiros e sindicatos da categoria **cobram ajustes urgentes na operação da ponte**. As reivindicações incluem a ampliação dos horários de funcionamento e a **melhoria na infraestrutura das aduanas** para reduzir as filas e garantir condições de trabalho mais dignas. A expectativa é que a nova ponte finalmente cumpra seu papel de facilitar o transporte internacional, como proposto em sua inauguração.