EUA negam influência de Flávio Bolsonaro em lista de terroristas; decisão foi de Trump
A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos para assuntos do Brasil, Amanda Roberson, negou veementemente que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha influenciado a decisão do governo de Donald Trump em classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
A declaração surge após Flávio Bolsonaro se reunir com o ex-presidente Trump e o secretário Marco Rubio nos Estados Unidos, solicitando a inclusão das facções criminosas brasileiras na lista americana. Roberson enfatizou que a decisão foi tomada exclusivamente pelo presidente Trump e sua equipe.
“A única pessoa que toma decisões pelos Estados Unidos é o presidente Trump e sua equipe, o secretário Rubio. Essas designações são uma ferramenta parte da lei dos Estados Unidos de tomar ações contra grupos e entidades que já sabemos que, no caso destes dois grupos, já estão atuando dentro dos Estados Unidos”, afirmou Roberson em entrevista à GloboNews. A porta-voz citou ainda que o CV e o PCC tiveram atividades identificadas em 12 estados americanos, o que motivou a medida.
Decisão baseada em atividades nos EUA, afirma porta-voz
Amanda Roberson reiterou que a classificação das facções brasileiras como terroristas se deu devido à comprovação de suas atividades em território norte-americano. Ela destacou que essa ação **não abre portas para interferência política no Brasil**, especialmente no contexto das eleições gerais de outubro.
“A prioridade dos Estados Unidos é a segurança dos Estados Unidos, também a nossa economia, fazendo o nosso país mais forte. Agora, quem vai ser o próximo presidente no Brasil é decisão dos brasileiros”, pontuou a porta-voz. Ela também mencionou que os EUA colaboram com parceiros, incluindo o Brasil, para coordenar ações de combate ao crime organizado.
Lula acusa Flávio Bolsonaro de traição e pedir intervenção americana
Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Flávio Bolsonaro de articular com os Estados Unidos para a classificação do CV e PCC como organizações terroristas. Lula classificou o senador como traidor, juntamente com Marco Rubio.
“Possivelmente, [o Rubio] estava preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato à eleição aqui que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria de ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, disparou Lula, acrescentando que se Flávio Bolsonaro fosse pedir intervenção para prender milicianos, ele ficaria preso lá.
Agradecimento a Trump e Rubio
Após a notícia da classificação, o senador Flávio Bolsonaro utilizou suas redes sociais para agradecer ao ex-presidente Donald Trump e ao secretário Marco Rubio pela categorização das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Ele celebrou a decisão como um avanço no combate ao crime organizado.