Presidente do Sindicato Médico do RS critica "inaceitável" interferência de Moraes no CFM sobre caso Bolsonaro

Presidente do Sindicato Médico do RS critica “inaceitável” interferência de Moraes no CFM sobre caso Bolsonaro

Resumo

Sindicato Médico do RS aponta grave “interferência” do STF em autonomia do CFM

O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Marsillac Matias, manifestou forte desaprovação à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a sindicância do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o atendimento ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.

Para Matias, a atitude do STF configura uma **”inaceitável” interferência** nos assuntos de ética médica. Ele ressalta que o CFM tem o dever de avaliar qualquer perspectiva de não cumprimento do Código de Ética Médica.

A polêmica surgiu após o CFM determinar a abertura de sindicância para apurar denúncias sobre o atendimento a Bolsonaro, que sofreu uma queda na cela da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Horas depois, Alexandre de Moraes suspendeu a ordem, alegando que o CFM não possui competência correicional sobre a PF e determinando que o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, seja ouvido pela Polícia Federal.

CFM precisa de autonomia para defender a ética médica

Marcelo Marsillac Matias enfatizou a necessidade de o CFM ter **autonomia para investigar assuntos de ética médica**, sem sofrer “interferência” do STF. “Se nós tivermos o STF interferindo em condutas que são tomadas dentro da ética médica, não teremos como defendê-la”, declarou o presidente do Simers.

Ele alertou que a decisão do STF estabelece um **”precedente perigoso”**. Matias expressou sua preocupação como médico e, consequentemente, como presidente do Simers, pois teme que essa interferência possa se estender a outros órgãos ou até mesmo a atos médicos individuais no futuro.

Alexandre de Moraes critica “ilegalidade” e “ignorância dos fatos” do CFM

Na sua decisão, Alexandre de Moraes defendeu o atendimento prestado pela equipe da PF a Bolsonaro e criticou a iniciativa do CFM. O ministro escreveu que a **”ilegalidade e ausência de competência correicional do CFM em relação à Polícia Federal é flagrante”**, indicando um claro desvio de finalidade e ignorância dos fatos por parte do Conselho.

Em resposta, o CFM declarou que **”jamais pretendeu exercer qualquer competência correicional em relação à Polícia Federal”**. O Conselho também informou que considera desnecessário o depoimento de seu presidente, José Hiran da Silva Gallo, visto que os esclarecimentos já foram prestados.

Precedente de “interferência” pode ameaçar a prática médica

A posição do presidente do Simers reforça a preocupação da classe médica com a possibilidade de que decisões judiciais interfiram na autonomia dos conselhos profissionais para fiscalizar e garantir o cumprimento das normas éticas. A **autonomia do CFM** é vista como fundamental para a manutenção da qualidade e da integridade da prática médica no país.

O caso levanta um debate importante sobre os limites da atuação do Poder Judiciário em relação aos órgãos de classe e sobre a importância de preservar a independência necessária para que estes possam exercer suas funções fiscalizadoras sem pressões externas. A **”interferência”** apontada pelo Simers é vista como um risco à própria estrutura de autorregulação da profissão médica.

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