Rede Estudantil Ligada ao Hamas Opera em Universidades dos EUA, Europa e Brasil, Revela Investigação
A ideia de que o ativismo estudantil pró-Palestina após os ataques de 7 de outubro de 2023 tenha sido espontâneo é questionada por novas evidências. Relatórios indicam que grupos extremistas organizados podem ter preparado o terreno para protestos, com potencial para gerar desordem em instituições de ensino superior.
Um desses grupos, a rede estudantil Tariq El-Tahrir, é apontada como infiltrada na Universidade de Washington, nos Estados Unidos. A organização se descreve como uma rede internacional de jovens, estudantes e organizações palestinas, árabes e internacionalistas, mas mantém ligações com entidades classificadas como terroristas por diversos países.
Essas descobertas foram compiladas a partir de informações que apontam para um padrão de atuação transnacional, com o objetivo de influenciar o debate acadêmico e promover agendas radicais. Conforme informação divulgada em reportagens investigativas, a Tariq El-Tahrir atua como braço juvenil da Masar Badil, organização com estreitos laços com a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), considerada terrorista por EUA, União Europeia e Israel.
A Estrutura da Tariq El-Tahrir e seus Laços Globais
A Tariq El-Tahrir é descrita como o braço juvenil da Masar Badil, sediada no Canadá. Esta última possui conexões diretas com a FPLP, um grupo armado classificado como terrorista por diversas nações. Além disso, a rede mantém vínculos com a Samidoun, que se apresenta como apoio a prisioneiros palestinos, mas é apontada por autoridades como uma fachada para arrecadação de fundos para a FPLP.
Na Universidade de Washington, a Tariq El-Tahrir tem colaborado com a Students United for Palestinian Equality and Return (SUPER UW). Este coletivo estudantil é associado a episódios de vandalismo e ocupações, incluindo a de um prédio universitário que causou cerca de US$ 1 milhão em danos materiais em maio do ano passado.
A colaboração entre a SUPER UW e a Tariq El-Tahrir se manifestou em seminários online. Um desses eventos contou com a participação de um suposto integrante do Hamas, além de outras figuras do ativismo radical internacional. Essa conexão levanta sérias questões sobre o grau de radicalização em certos setores do ativismo universitário contemporâneo e pode fundamentar investigações formais.
Atuação Internacional e Slogans Controversos
A atuação da Tariq El-Tahrir não se restringe aos Estados Unidos, operando globalmente. Em países onde a Samidoun é proibida, como Israel, Alemanha, Canadá e EUA, a Tariq El-Tahrir atua como elo para conectar jovens militantes à estrutura operacional do movimento. Em nações onde a Samidoun opera legalmente, como Brasil, Grécia, Itália, Bélgica e Espanha, a rede intensifica suas atividades de mobilização.
Nos Estados Unidos, há registros de que o grupo promoveu contatos entre ativistas estudantis e representantes de regimes hostis a Washington. A Tariq El-Tahrir enviou delegações à Missão Permanente do Irã junto às Nações Unidas. Nesses encontros, esteve presente a ativista Calla Walsh, que posteriormente entoou os slogans **”Morte à América”** e **”Morte a Israel”** durante um evento no Irã.
A série de seminários online “Caminho da Libertação”, lançada em outubro, também demonstra a influência da Tariq El-Tahrir. A SUPER UW figura como colaboradora em todas as edições. As palestras discutem a construção de uma alternativa juvenil revolucionária ao caminho “liquidacionista” dos Acordos de Oslo.
Seminários e Discurso Radical
Um dos seminários da série abordou o tema “O que fazer quando você também se torna um ‘terrorista’: a tentativa do inimigo de destruir organizações de resistência na diáspora”. O evento defendeu a intensificação do ativismo e criticou a classificação de grupos como terroristas como ferramenta de repressão política.
Charlotte Kates, cofundadora da Samidoun, foi uma das palestrantes de destaque. Ela se recusou a defender a redução da violência em Gaza, afirmando que ativistas têm a **”responsabilidade, em nível internacional, de não ficar parados enquanto essas violações ocorrem, mas de intensificar a luta ao lado da resistência palestina”**. Kates também mencionou Elias Rodriguez, acusado de assassinato, sugerindo que revolucionários nos EUA deveriam criticar o **”nível insuficiente de organização”** de seus próprios movimentos.
Kates criticou leis antiterrorismo, argumentando que enfraquecem a **”base de apoio popular”** do movimento pró-Palestina. Em um “mundo justo”, líderes do movimento poderiam se reunir **”diretamente com aqueles que comandam a resistência na Palestina, no Líbano e no Iêmen para traçar estratégias conjuntas”**.
Apesar das restrições legais, participantes interagiram com supostos membros do Hamas e da FPLP em sessões subsequentes. Osman Bilal, apontado como integrante do Hamas e envolvido no planejamento de um atentado, enviou uma mensagem defendendo o uso de **”todas as ferramentas”**, incluindo **”atos violentos”** e **”luta armada”**, quando servem à causa.
Khaled Barakat, fundador da Masar Badil e descrito como membro da FPLP, apresentou sua visão sobre a **”ala revolucionária”** do movimento estudantil internacional. O último seminário do semestre reuniu ativistas de diversos países, incluindo representantes da Universidade de Washington.
Objetivos de Subversão e Reintegração de Alunos Suspensos
Uma participante, identificada como Sana’a, que afirmou ter sido suspensa pela Universidade de Washington, declarou: **”Quando dizemos ‘globalizar a intifada’, não são palavras vazias. Não estamos buscando reformas. Queremos, na verdade, subverter essas instituições”**. Ela defendeu que a **”resistência”** na Palestina deveria orientar a mobilização global e que a ocupação de prédios universitários foi inspirada por um chamado para **”interromper as operações de governos e corporações que alimentam o genocídio”**.
No ano passado, a Universidade de Washington suspendeu 21 estudantes ligados à SUPER UW. Recentemente, a instituição confirmou a reintegração desses alunos, sem que eles tenham sido formalmente acusados de crimes. Críticos consideram essa decisão arriscada, temendo a abertura de espaço para novos episódios de violência e desordem, dadas as conexões documentadas com a Tariq El-Tahrir.
Especialistas em segurança e observadores acadêmicos defendem medidas mais rigorosas. A Tariq El-Tahrir, ao conectar estudantes a organizações como o Hamas, ultrapassa os limites do ativismo político convencional. Analistas argumentam que representantes do grupo nos campi deveriam ser responsabilizados por universidades e autoridades policiais.
O caso reforça a constatação de que o ativismo extremista em universidades ocidentais raramente é espontâneo. Geralmente, trata-se do resultado de **redes organizadas e transnacionais** que buscam instrumentalizar o ambiente acadêmico para promover agendas alinhadas a grupos hostis ao Ocidente.