Secretário do Tesouro dos EUA vê “boa vontade” e “tom certo” na relação entre Lula e Trump
O cenário diplomático entre Brasil e Estados Unidos ganha contornos positivos, segundo Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA e um dos aliados mais próximos de Donald Trump. Em sua participação virtual na conferência “CEO Conference Brasil 2026”, promovida pelo banco BTG Pactual em São Paulo, Bessent destacou que a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump, apesar de um começo considerado “conturbado”, encontra-se agora no “tom certo”.
As declarações de Bessent, divulgadas por vídeo, sinalizam um otimismo quanto à cooperação bilateral e à percepção de “boa vontade” por parte do governo brasileiro. A visão do secretário americano sugere que os laços entre as administrações, especialmente sob a perspectiva de um possível retorno de Trump à presidência, estão se fortalecendo, abrindo portas para futuras colaborações e intercâmbios.
O secretário americano ressaltou, ainda, a tradição de Lula em manter bons relacionamentos com presidentes republicanos nos Estados Unidos, um fator que, segundo ele, contribui para a estabilidade e o alinhamento atual. A expectativa é que essa dinâmica positiva culmine em iniciativas concretas, como visitas estratégicas de delegações empresariais e governamentais brasileiras aos Estados Unidos, possivelmente incluindo o próprio presidente Lula.
Visita de empresários brasileiros aos EUA pode ser “marcante”
Scott Bessent antecipou que, nos próximos meses, uma delegação composta por empresários brasileiros e representantes do governo deve visitar os Estados Unidos, com o objetivo de se encontrar com Donald Trump. O secretário classificou essa possibilidade como “marcante”, indicando o potencial impacto positivo dessa aproximação para os negócios e as relações diplomáticas entre os dois países.
A ideia de uma visita de Lula a Washington para um encontro com Trump já havia sido ventilada pelo próprio presidente brasileiro no final de janeiro. Na ocasião, em coletiva de imprensa no Panamá, Lula expressou sua intenção de viajar à capital americana no início de março para uma reunião com o ex-presidente, demonstrando um interesse mútuo em fortalecer os laços bilaterais.
Brasil e EUA: Boa Vontade e Relações Históricas
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, fez questão de sublinhar a “boa vontade” notada por parte do governo brasileiro nas interações com Washington. Ele comentou sobre a curiosa, mas relevante, tradição do presidente Lula em cultivar bons relacionamentos com presidentes republicanos nos Estados Unidos, um ponto que, segundo ele, facilita o alinhamento atual.
“Acho que agora estamos no tom certo com o presidente Trump”, afirmou Bessent, reforçando a ideia de que a comunicação e a colaboração entre os líderes e seus respectivos governos estão em uma fase construtiva. Essa percepção é fundamental para a construção de pontes e para a exploração de novas oportunidades de cooperação econômica e estratégica.
EUA buscam “redução de riscos estratégicos” com a China
Na mesma conferência em São Paulo, Scott Bessent também abordou a política externa dos Estados Unidos em relação à China. De acordo com informações divulgadas pela agência Reuters, o secretário afirmou que Washington não almeja um rompimento com o regime chinês, mas sim a “redução de riscos estratégicos”.
Essa declaração indica uma abordagem pragmática dos Estados Unidos em suas relações com a China, focando em mitigar potenciais vulnerabilidades e garantir a segurança nacional e econômica, sem necessariamente buscar um confronto direto. A estratégia visa um equilíbrio delicado na complexa teia das relações internacionais contemporâneas.