Saúde de Bolsonaro em Risco? Defesa Pede Perícia da PF para Avaliar Risco de Morte na Prisão

Saúde de Bolsonaro em Risco? Defesa Pede Perícia da PF para Avaliar Risco de Morte na Prisão

Resumo

Defesa de Bolsonaro levanta preocupação com risco de morte na prisão e solicita perícia médica do STF

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido crucial: a avaliação por uma junta médica da Polícia Federal sobre o real risco à vida de Bolsonaro caso ele permaneça em unidade prisional. Os advogados apresentaram o cirurgião Cláudio Birolini como assistente técnico para acompanhar os trabalhos periciais.

A argumentação central da defesa gira em torno da incompatibilidade do ambiente carcerário com as necessidades terapêuticas do ex-presidente. Questiona-se se a permanência em um local de detenção não acarretaria um sofrimento evitável e um risco concreto de “morte súbita”, demandando assim uma análise aprofundada das suas condições de saúde.

A solicitação surge após a transferência de Bolsonaro da Superintendência da PF para o 19º Batalhão da Polícia Militar, em São Bernardo do Campo, a pedido do ministro Alexandre de Moraes. A perícia oficial foi determinada antes de qualquer decisão sobre o pedido de prisão domiciliar humanitária, com prazo de dez dias para a entrega do laudo. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (16).

Detalhes da Perícia e Quesitos Formulados pela Defesa

Tanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) quanto a defesa de Bolsonaro foram autorizadas a indicar assistentes técnicos e formular quesitos, que são perguntas técnicas destinadas a orientar o trabalho do perito. A defesa, por meio de seus advogados, encaminhou um total de 39 perguntas, divididas em três categorias distintas, visando fundamentar tecnicamente a fragilidade clínica do ex-presidente.

Os quesitos técnicos buscam esclarecer a complexidade do quadro clínico de Bolsonaro, a necessidade de acompanhamento multidisciplinar e a incompatibilidade do ambiente prisional comum com suas condições de saúde. Já os quesitos médicos, com ênfase nas comorbidades, detalham riscos relacionados a aderências intestinais, pressão intra-abdominal, pneumonia aspirativa em idosos, consequências de soluços incoercíveis, riscos de quedas e eventos cardiovasculares.

Uma terceira categoria de quesitos médicos aborda especificamente doenças crônicas, estado mental e o risco de morte. São 17 perguntas que investigam os riscos da apneia do sono grave, o impacto de transtornos depressivos e episódios de confusão mental, reforçando o pleito pelo regime domiciliar como medida para preservar a vida do ex-presidente.

Condições de Saúde e Riscos no Ambiente Prisional

Entre as condições de saúde de Bolsonaro apontadas pela defesa estão a apneia obstrutiva do sono grave, hipertensão arterial, doença aterosclerótica, insuficiência renal limítrofe, esofagite erosiva e os já mencionados soluços incoercíveis. A defesa destaca que o uso contínuo de medicamentos para controlar os soluços, como clorpromazina e gabapentina, pode gerar efeitos colaterais como sonolência, alucinações e alterações de consciência.

Esse cenário, somado à sarcopenia (perda de massa muscular) e a um recente histórico de queda com traumatismo cranioencefálico, eleva o risco de novos acidentes graves. A defesa questiona se o ambiente prisional comum oferece a estrutura necessária para garantir o uso adequado de CPAP, a prevenção de quedas, uma dieta fracionada rigorosa, vigilância clínica permanente, atendimento imediato em urgências, prevenção de sarcopenia e hipovitaminoses, e a administração contínua e regular de medicamentos.

Argumentos Legais e Pedido de Prisão Domiciliar

A defesa invoca o artigo 117 da Lei de Execução Penal e a Constituição Federal para sustentar que o regime domiciliar é a única alternativa capaz de assegurar os direitos à vida e à dignidade humana de Bolsonaro. Em um documento anterior, datado de quarta-feira (14), os advogados já haviam solicitado a prisão domiciliar humanitária, citando a queda ocorrida no dia 6 e a dificuldade do ex-presidente em se firmar sozinho, o que o coloca em risco elevado de quedas.

Conforme a defesa argumentou, o ambiente domiciliar ou hospitalar permite a adoção de medidas preventivas essenciais, como cama com grades, piso adequado, iluminação permanente e a presença de um cuidador ou profissional de saúde junto ao leito. Essas medidas, segundo os advogados, são capazes de reduzir significativamente os riscos que são, no cárcere, “estruturalmente inevitáveis”.

O ministro Alexandre de Moraes, ao determinar a transferência de Bolsonaro, concordou com a instalação de “grades de proteção e barras de apoio na cama e em outros locais das acomodações da custódia”. A defesa informou que tomará as providências necessárias para adaptar o local onde o ex-presidente cumpre pena, buscando garantir a segurança e o bem-estar solicitados.

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