Sorriso, Mato Grosso, lidera a produção nacional de milho e se destaca pela inovação no agronegócio
O agronegócio brasileiro continua a surpreender, e Mato Grosso se consolida não apenas como a “terra do gado e da soja”, mas também como a “terra do milho”. O estado agora ostenta o título de maior produtor nacional do grão, com safras que ultrapassam a marca impressionante de 50 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
No coração dessa produção, encontra-se Sorriso, um município no meio-norte mato-grossense que se autoproclama “capital do agronegócio” e lidera o ranking de produção de milho em todo o Brasil. Com uma área cultivada de 500 mil hectares dedicados ao grão, Sorriso alcança produtividades notáveis, chegando a colher mais de 340 sacas por hectare em algumas propriedades, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Essa façanha é fruto de um investimento contínuo em tecnologia, genética e aprimoramento de manejo, transformando o milho de uma simples “safrinha” em uma cultura de segunda safra com protagonismo econômico e estratégico. A informação foi divulgada com base em dados da Conab e do Imea.
Tecnologia e Expansão Agrícola: Os Pilares do Sucesso de Sorriso no Cultivo de Milho
A trajetória de Sorriso como potência no cultivo de milho tem raízes na década de 1980, quando o governo federal incentivou a ocupação de novas áreas no norte de Mato Grosso por agricultores do Sul do país. O solo fértil e o clima favorável foram decisivos para o desenvolvimento da atividade rural na região.
Atualmente, o município abriga mais de 2 mil propriedades rurais e conta com aproximadamente 50 unidades de armazenagem. A prefeitura destaca o uso intensivo de **equipamentos tecnológicos de ponta** no campo e a aplicação de **sementes geneticamente melhoradas** como fatores cruciais para o sucesso na produção agrícola, que na safra 2024/2025 alcançou 3,66 milhões de toneladas.
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: Um Modelo Sustentável e Rentável
Aliado aos avanços tecnológicos, Sorriso tem adotado com sucesso as práticas de **integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)**. Este sistema inovador combina agricultura, pecuária e áreas de reflorestamento, otimizando o uso da terra e fortalecendo as estratégias de sustentabilidade, conforme aponta o Imea.
O secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Sorriso, Clóvis Picolo Filho, explica que a ILPF permite “produzir mais na mesma área”. O modelo envolve o plantio de grãos como soja e milho, a utilização da área com pastagem para gado e a inclusão de componentes florestais, como o eucalipto, diversificando a produção e **aumentando a renda** dos produtores.
Além dos benefícios econômicos, a integração lavoura-pecuária-floresta contribui para a **melhora da qualidade do solo**, a redução da degradação e o sequestro de carbono, reforçando o compromisso do município com práticas agrícolas mais responsáveis ambientalmente.
Perspectivas Climáticas e a Importância do Milho para a Economia Local
As projeções para a safra de milho safrinha em Mato Grosso indicam uma área destinada de aproximadamente 7,4 milhões de hectares, mantendo o estado próximo aos patamares das últimas temporadas. O presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Diogo Damiani, ressalta a importância do regime de chuvas para o sucesso da cultura, especialmente no período de floração.
“Estamos com bons volumes de chuva e isso é importante, principalmente agora, que estamos no período de floração. Esperamos que a chuva se estenda até o final de abril para que o produtor rural tenha bons resultados, já que o custo para a produção está muito elevado e essa é a principal cultura de segunda safra em Sorriso”, afirma Damiani.
A produtividade estimada para o milho safrinha aponta para uma média de 116 sacas por hectare, mas o resultado final dependerá das condições climáticas. Bruno Casati, gerente regional da Shull Seeds em Mato Grosso, destaca que a integração entre as culturas de soja e milho é fundamental para **equilibrar a rentabilidade das propriedades rurais**. “O agricultor enxerga a propriedade como um sistema. A soja e o milho trabalham juntas na rentabilidade da fazenda. Quando uma cultura tem margens menores, a outra ajuda a equilibrar o resultado do ano”, explica Casati.
Brasil: Líder Mundial na Exportação de Milho
O milho, juntamente com a soja e o arroz, representa mais de 90% da produção nacional de grãos. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira de milho alcançou a marca histórica de 141,7 milhões de toneladas na última safra, um crescimento de 23,6% em relação ao ano anterior.
Mato Grosso, com seus expressivos 53,11 milhões de toneladas, é um dos principais responsáveis por esse desempenho. Embora o Brasil fique atrás dos Estados Unidos e da China na produção total, o país se destacou no comércio externo, **superando os Estados Unidos em 2023 e liderando as exportações globais de milho**.