Trump classifica PCC e CV como terroristas: Flávio Bolsonaro na frente, Lula na defensiva e a eleição em jogo

Trump classifica PCC e CV como terroristas: Flávio Bolsonaro na frente, Lula na defensiva e a eleição em jogo

Resumo

Ação de Trump sobre facções brasileiras vira arma eleitoral e pressiona governo Lula em ano de eleição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reacendeu o debate sobre segurança pública na corrida presidencial após a visita à Casa Branca, que resultou na classificação do PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O anúncio, feito logo após um encontro de Flávio com o presidente Donald Trump, intensifica a disputa eleitoral e coloca o governo Lula em posição delicada.

A medida, solicitada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, contrasta com a postura do atual governo. Enquanto Flávio capitaliza a decisão como uma vitória na agenda de segurança, o presidente Lula busca se defender, minimizando o impacto da classificação e defendendo a soberania nacional. A divergência de posições deve ser explorada intensamente pela pré-campanha de Bolsonaro.

A pesquisa Genial/Quaest de abril aponta a violência como o principal problema do Brasil para 27% dos entrevistados, demonstrando a relevância do tema para o eleitorado. A forma como as campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula irão gerenciar essa questão pode ser decisiva para o resultado das eleições. Conforme divulgado pelo portal UOL, a imagem de Flávio com Trump gerou uma virada significativa no sentimento positivo em relação ao senador em grupos de WhatsApp.

Segurança Pública em Destaque e o Jogo Político

A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, a pedido do senador Flávio Bolsonaro, reposiciona a segurança pública como pauta central da eleição presidencial. A decisão americana, anunciada após uma visita de Flávio à Casa Branca, intensifica o embate entre a direita e o governo atual.

O cientista político Samuel Oliveira avalia que essa ação coloca Flávio Bolsonaro em vantagem na área da segurança pública, pois ele obteve em Washington o que o governo Lula resistiu em fazer. Essa estratégia permite à direita enquadrar o governo como lento ou ambíguo diante do avanço do crime organizado, enquanto a população vive sob o medo e o domínio territorial das facções.

O governo Lula, por sua vez, demonstrou desconforto com a decisão. O presidente Lula comentou o tema apenas no dia seguinte, em Sergipe, afirmando que CV e PCC não são “os terroristas que o Trump quer, como o Osama bin Laden”. Essa fala, considerada defensiva, sugere que o Planalto sentiu o golpe, e a estratégia de defender a soberania nacional pode ser reeditarada, como ocorreu em outras ocasiões.

Impacto nas Redes Sociais e o Sentimento do Eleitorado

A imagem de Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump, divulgada após a visita à Casa Branca, provocou uma mudança expressiva no sentimento do eleitorado em relação ao senador. Monitoramento da empresa Palver em centenas de grupos públicos de WhatsApp, divulgado pelo UOL, mostrou uma inversão positiva para Flávio em poucas horas após a publicação da foto.

Entre os dias 22 e 25 de maio, o sentimento positivo em relação a Flávio Bolsonaro oscilava entre 26% e 35%. Na terça-feira seguinte, com a foto circulando, o índice saltou de 41% positivo e 51% negativo para 61% positivo e 39% negativo em uma hora. No pico do dia, o sentimento positivo atingiu 65%, um aumento de 22 pontos percentuais em três horas.

Essa repercussão positiva nas redes sociais, impulsionada pela proximidade com Trump e pela classificação das facções como terroristas, sugere que a pré-campanha de Flávio Bolsonaro ganha fôlego, deslocando novamente o debate para a segurança pública, um terreno favorável à direita.

Legislação Antiterrorismo e a Busca por Credibilidade Internacional

A promotora de Justiça Celeste Leite dos Santos, presidente do Instituto Pró-Vítima, destaca que a legislação brasileira de combate ao terrorismo é defasada em relação aos padrões internacionais. Segundo ela, essa inadequação enfraquece a argumentação do Brasil em negar que PCC e CV sejam organizações terroristas.

“Na prática, o nosso próprio ordenamento jurídico carece de densidade normativa para sustentar esse debate no plano internacional. Se o Brasil quer defender sua posição com credibilidade, precisa urgentemente revisar sua lei antiterrorismo para adequá-la aos parâmetros globais”, afirma a promotora. Ela defende que o foco deve estar no impacto concreto das ações das facções sobre a população.

Celeste Leite dos Santos também ressalta que a classificação por si só não combate o crime organizado e cobra a aprovação do Estatuto da Vítima, que tramita no Senado. Para ela, “enquanto discutimos o rótulo jurídico das facções, as vítimas reais seguem sem amparo legal específico”.

Impacto Financeiro e a Luta contra o Crime Organizado

O analista de riscos e geopolítica, Nelson Ricardo Fernandes, prevê que o impacto mais imediato da classificação de PCC e CV como terroristas será sentido nas finanças das organizações criminosas. Ele aponta para a possibilidade de desligamento dessas organizações do sistema financeiro internacional e sanções a seus agentes e empresas.

A medida ocorre em paralelo à segunda fase da operação Carbono Oculto, que em 2025 revelou as ligações bilionárias do PCC com o mercado financeiro. A operação descobriu que cerca de mil postos de combustível vinculados à organização movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, e uma fintech operando como banco paralelo movimentou R$ 46 bilhões no mesmo período.

A nova fase da operação, batizada de Fluxo Oculto, revelou a criação de seis novas fintechs pela organização criminosa, movimentando mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. “O crime organizado não apenas diversificou suas fontes de receita como desenvolveu capacidade de recomposição típica de corporações legítimas”, alerta a promotora Celeste Leite dos Santos, evidenciando a complexidade do combate.

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