Vereador do PT em SP: Senival Moura é Preso por Suspeita de Ligação com PCC e Desvio de R$ 15 Milhões em Empresa de Ônibus

Vereador do PT em SP: Senival Moura é Preso por Suspeita de Ligação com PCC e Desvio de R$ 15 Milhões em Empresa de Ônibus

Resumo

Senival Moura, vereador petista em São Paulo, foi detido nesta quinta-feira (26) sob forte suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e um esquema milionário de lavagem de dinheiro. As investigações apontam para a sua participação em um desvio de R$ 15 milhões de uma empresa de ônibus, a Transunião, que, segundo as autoridades, seria controlada pela facção criminosa.

A prisão de Senival Moura lança luz sobre uma complexa teia de crimes que envolvem corrupção, lavagem de dinheiro e a influência do crime organizado no setor de transporte público paulistano. O vereador, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), é acusado de ter atuado em benefício do PCC, utilizando sua posição para facilitar operações ilícitas.

As autoridades investigam como o parlamentar teria se beneficiado e auxiliado a facção a movimentar recursos de origem duvidosa, além de ter sido poupado de um ‘tribunal do crime’ que condenou à morte outros envolvidos no esquema. A sua influência política teria sido o fator determinante para que ele escapasse de um destino fatal, conforme relatado pelo Ministério Público.

As informações foram apuradas pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo, que detalhou as acusações contra o vereador, o modus operandi do esquema de lavagem de dinheiro e as reações da defesa e do partido. Conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, o vereador Senival Moura é a figura central de uma investigação que abala o cenário político e criminal de São Paulo.

Principal Acusação: Lavagem de Dinheiro e Desvio de Verbas

A principal acusação contra o vereador Senival Moura é a de integrar um esquema de lavagem de dinheiro dentro da Transunião, empresa de transporte público com atuação na Zona Leste de São Paulo. A polícia sustenta que a facção criminosa PCC utilizava a empresa para ‘esquentar’ dinheiro ilícito. O vereador petista teria participado não apenas do desvio de recursos da própria organização criminosa, mas também teria usado verbas obtidas de forma ilegal para financiar sua campanha de reeleição em 2020.

O ‘Tribunal do Crime’ e a Pouca de Senival Moura

Em 2020, o PCC descobriu um rombo de R$ 15 milhões na Transunião e, como consequência, condenou à morte os responsáveis pelo prejuízo. Um dos sócios do vereador, Adauto Soares Jorge, chegou a ser executado. Senival Moura também estaria na mira da facção, mas, segundo o Ministério Público, foi perdoado. A facção teria entendido que a sua utilidade viva, com cargo e influência na Prefeitura, era maior para manter contratos públicos milionários e garantir o ressarcimento do prejuízo.

Modus Operandi: Empresas de Ônibus como Fachada para Lavagem de Dinheiro

Empresas de ônibus são frequentemente utilizadas pelo crime organizado devido ao alto volume de dinheiro em espécie movimentado e aos longos contratos firmados com o governo. No caso da Transunião, o capital social da empresa saltou de R$ 100 mil para R$ 50 milhões sem que houvesse uma origem comprovada para tal aumento. Esse capital ‘inflado’ facilitava a vitória em licitações. Parte do lucro real da operação e dos subsídios pagos pela Prefeitura era desviada diretamente para o caixa da facção, muitas vezes através de ‘laranjas’.

Patrimônio Incompatível e Ocultação de Bens

Relatórios de inteligência financeira revelaram uma evolução patrimonial incompatível com os rendimentos de um vereador. Entre 2019 e 2022, Senival Moura movimentou cerca de R$ 4,4 milhões, apresentando uma diferença inexplicável de R$ 2,4 milhões. A Justiça também identificou a ocultação de bens, incluindo imóveis de luxo em São Paulo e Minas Gerais, que estavam registrados em nome de familiares, como esposa, filhos e irmão do vereador.

Reações da Defesa e do PT

A defesa de Senival Moura negou veementemente qualquer irregularidade, afirmando que o vereador não ocupa cargos de gestão na Transunião há mais de seis anos. A prisão foi classificada como ‘surpreendente’, especialmente por ocorrer próximo ao período eleitoral. Por sua vez, o diretório municipal do PT declarou que o partido não compactua com o crime organizado e que aguardará o desenrolar das investigações para se manifestar oficialmente sobre o caso.

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