EUA exigem que países escolham lado na disputa global por IA: Brasil sob pressão na corrida tecnológica com a China

EUA exigem que países escolham lado na disputa global por IA: Brasil sob pressão na corrida tecnológica com a China

Resumo

EUA pressionam aliados a escolherem lado na corrida pela Inteligência Artificial, mirando a China

Os Estados Unidos preparam uma ofensiva diplomática com o objetivo de pressionar dezenas de países a optarem entre Washington e Pequim na crescente disputa global pela inteligência artificial (IA). A Reuters revelou que o governo americano pretende notificar seus parceiros de que a participação na iniciativa chinesa de IA pode levar à exclusão de uma coalizão liderada pelos EUA.

Essa mensagem faz parte de um rascunho interno do Departamento de Estado, analisado pela agência. O documento, que ainda não foi enviado e pode sofrer alterações, é destinado aos 35 países que assinaram em junho uma declaração de cooperação com os EUA em áreas cruciais como modelos de IA, semicondutores, infraestrutura computacional e minerais críticos.

A estratégia americana, conhecida como Pax Silica, visa fortalecer a união entre aliados e parceiros em cadeias de suprimentos consideradas estratégicas para o desenvolvimento da IA, incluindo a produção de chips e a extração de minerais essenciais para tecnologias avançadas. Países como Japão, Austrália e Coreia do Sul já integram este grupo.

China lança iniciativa rival em IA e aumenta a pressão global

O endurecimento da postura americana ocorre após o lançamento, em julho, de uma organização internacional própria pela China para cooperação em inteligência artificial. Essa iniciativa, que reuniu inicialmente 29 países, foi apresentada por Pequim como uma alternativa à influência dos Estados Unidos na governança e no desenvolvimento da tecnologia de IA.

Essa movimentação intensifica a pressão sobre nações que buscam manter relações próximas com ambas as potências no setor de tecnologia. O Brasil, por exemplo, tem ampliado sua cooperação tecnológica com a China. No final de julho, o presidente Lula e o ditador Xi Jinping discutiram por telefone a expansão de parcerias em áreas como inteligência artificial, satélites e processamento de minerais críticos.

Cazaquistão serve de exemplo para EUA sobre participação dupla em iniciativas de IA

A Casa Branca observa atentamente o caso do Cazaquistão, que aderiu tanto ao movimento americano quanto ao chinês no setor de IA. Segundo a Reuters, autoridades dos EUA passaram a considerar essa participação simultânea como incompatível com o objetivo de formar um bloco tecnológico confiável e coeso.

Estados Unidos e China competem acirradamente por acesso a semicondutores, centros de dados e minerais críticos, recursos indispensáveis para sustentar modelos avançados de IA e suas aplicações econômicas e militares. A própria iniciativa Pax Silica foi estruturada pelos EUA com o propósito de reduzir a dependência de cadeias de suprimentos controladas por países considerados adversários.

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