Brasil amplia comércio com o Irã e se expõe a possíveis retaliações econômicas dos Estados Unidos, em meio a um “Dia D Econômico” anunciado por Donald Trump contra o regime persa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova estratégia agressiva contra o Irã, batizada de “Dia D Econômico”, que visa forçar Teerã a negociar o fim de um conflito iniciado em fevereiro. A medida, comunicada na rede social Truth Social, prevê sanções severas contra qualquer país que ofereça suporte a instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais iranianos.
Trump alertou que “qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam qualquer tipo de tábua de salvação ao Irã enfrentará, ele próprio, consequências econômicas tremendas”, sem especificar quais seriam, mas com tarifas como cenário mais provável. A declaração surge em um momento de crescimento significativo do comércio entre o Brasil e o Irã, levantando preocupações sobre o impacto dessas novas sanções americanas.
As exportações brasileiras para o Irã apresentaram um aumento de 15% no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2025, totalizando US$ 1,34 bilhão. Essa expansão comercial, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), coloca o Brasil em uma posição delicada diante da política externa americana. Saiba mais sobre as implicações desta nova fase da guerra econômica de Trump.
Crescimento Comercial Brasil-Irã em Destaque
No primeiro semestre de 2025, o volume total de comércio entre Brasil e Irã atingiu US$ 1,190 bilhão, com exportações brasileiras somando US$ 1,16 bilhão e importações totalizando US$ 30,5 milhões. Já no primeiro semestre deste ano, o intercâmbio cresceu para US$ 1,37 bilhão, impulsionado por exportações de US$ 1,34 bilhão, enquanto as importações brasileiras do Irã caíram para US$ 29,5 milhões. Essa alta de 15% no comércio total é um dado crucial, segundo o MDIC.
Os principais produtos exportados pelo Brasil para o Irã incluem soja, farelo de soja e milho. Por outro lado, o Brasil importa do país asiático itens como nozes, peças para espaçonaves, drones e equipamentos relacionados, além de medicamentos, de acordo com o Observatório de Complexidade Econômica (OEC).
Trump Declara “Dia D Econômico” Contra o Irã
Donald Trump especificou que as ações a serem combatidas incluem “contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada”. Ele apelou para que “todos os nossos aliados se unam aos Estados Unidos da América para isolar e derrotar a ameaça representada pelo Irã”.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reagiu em sua conta no X, classificando a medida de Trump como “uma cortina de fumaça diante da própria crise dos Estados Unidos” e uma forma de “terrorismo econômico” que “ameaça a economia mundial”.
Brasil Já Sofre com Novas Tarifas Americanas
A nova ameaça de Trump ocorre em um contexto onde o Brasil já tem enfrentado novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Em julho, uma tarifa de 25% foi aplicada sobre grande parte das importações brasileiras, sob a alegação de práticas comerciais injustas. No mesmo mês, uma sobretaxa de 12,5% foi adicionada, citando falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, justificativa que também afetou outras 59 economias.
Adicionalmente, o Brasil pode ser impactado por um pacote de sanções contra a Rússia em tramitação no Congresso americano. Este pacote prevê tarifas sobre importações de países que compram petróleo, urânio e gás natural russos, com o objetivo de pressionar o Kremlin por um cessar-fogo na Ucrânia. A ampliação da parceria com o Irã, membro dos BRICS junto ao Brasil, intensifica o risco de o país sul-americano ser atingido por essas novas medidas de guerra econômica.