TCU aponta falhas graves na autonomia de auditorias internas no Exército Brasileiro, ligadas à estrutura hierárquica militar.
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou um grave comprometimento na independência das auditorias internas dentro do Exército Brasileiro. A estrutura hierárquica militar, segundo o relatório, dificulta a atuação imparcial dos fiscais, criando um cenário de potenciais conflitos de interesse.
Relatos de auditores militares revelam que suas ações de fiscalização frequentemente têm seus relatórios revisados por superiores. A falta de autonomia é clara, com declarações como “não temos autonomia para escrever os relatórios” e “autonomia é relativa”, evidenciando a pressão para atenuar descobertas.
A situação, conforme divulgado no Diário Oficial da União, indica que a avaliação de desempenho dos auditores pode ser influenciada por superiores que eles próprios fiscalizaram, e que esses militares podem retornar a funções de gestão nas áreas auditadas. Conforme informação divulgada pelo TCU, “Até existe na fase de execução dos trabalhos, todavia, quando se aproxima dos procedimentos apuratórios, que se começa a vislumbrar a possibilidade de responsabilização, aí começam a surgir ‘orientações’ estilo ‘deixa disso’”.
Estrutura de Carreira Militar Prejudica a Imparcialidade
O TCU aponta que a própria estrutura da carreira militar, com sua ênfase na disputa por promoções baseadas em “conceitos subjetivos” como profissional e moral, cria um ambiente propício para o conflito de interesses. Militares responsáveis por auditar gestores que podem impactar suas carreiras enfrentam uma pressão implícita.
Ausência de Corpo Técnico Permanente Agrava o Problema
A falta de um corpo técnico permanente de auditores nas Forças Armadas é outro fator crítico. Militares são designados temporariamente para funções de controle e, posteriormente, retornam a cargos de gestão nas mesmas estruturas que fiscalizaram. Essa alternância, conforme o relatório, cria as condições perfeitas para conflitos de interesse.
Diferenças na Implementação das Recomendações do TCU
A necessidade de separação entre a função de auditoria e a gestão já foi atendida na Marinha e na Aeronáutica, em cumprimento a determinações anteriores do TCU em 2009. No Exército, contudo, a situação persiste, com os 12 Centros de Gestão, Contabilidade e Finanças do Exército (CGCFEx) respondendo diretamente à Secretaria de Economia e Finanças (SEF), perpetuando a estrutura questionada.
Exército Brasileiro sob Avaliação para Mudanças Estruturais
O Tribunal de Contas da União determinou que o Exército tome providências urgentes para sanar as falhas identificadas. A expectativa é que o órgão militar implemente as mudanças necessárias para garantir a independência e a eficácia das auditorias internas, assegurando um controle mais rigoroso e imparcial da gestão de recursos públicos.
A reportagem entrou em contato com o Exército Brasileiro para obter um posicionamento sobre as determinações do TCU. O espaço permanece aberto para manifestação.