Queda na Produção de Trigo no Paraná Aumenta Dependência de Importações no Brasil
A produção paranaense de trigo, essencial para o abastecimento nacional, projeta uma colheita de apenas 2,2 milhões de toneladas na safra 2026/27. Este volume é significativamente menor do que as 3,85 milhões de toneladas consumidas anualmente pelos moinhos locais.
Esse déficit de 1,6 milhão de toneladas, somado à retração da produção em todo o Brasil, que foi revisada de 7,2 para 5,9 milhões de toneladas, obriga o país a intensificar as importações para evitar o desabastecimento e conter a pressão nos custos.
A situação exige uma busca por alternativas no mercado internacional, impactando toda a cadeia produtiva do trigo, desde o campo até a mesa do consumidor. Conforme informações apuradas pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo, o cenário é preocupante para o setor.
Produtores Rurais Reduzem Plantio de Trigo por Baixa Rentabilidade
O principal motivo por trás da queda na produção de trigo no Paraná é a **escolha estratégica dos produtores rurais**. Eles optaram por diminuir a área plantada em 13,5% neste ciclo, caindo de 855 mil para 740 mil hectares.
A decisão é motivada pela **baixa rentabilidade da cultura**. Os agricultores enfrentam custos elevados com sementes, fertilizantes e combustíveis, enquanto o retorno financeiro é considerado pouco atrativo quando comparado a outras culturas, como o milho.
Adicionalmente, o **risco de doenças como a brusone** desestimula o investimento no trigo em diversas regiões do Paraná. Essa enfermidade pode devastar lavouras inteiras em períodos de alta umidade, aumentando a insegurança para o produtor.
Brasil Planeja Importação Recorde para Suprir Demanda Interna
Diante da safra brasileira aquém do esperado, o Brasil se prepara para uma **importação recorde de quase nove milhões de toneladas** de trigo. Essa medida é vista como essencial para garantir o suprimento do mercado interno.
Historicamente, a Argentina é o principal fornecedor de trigo para o Brasil, beneficiada pelas facilidades do Mercosul. No entanto, o trigo argentino atual tem apresentado **menor qualidade nutricional**, com baixo teor de proteína, o que força a indústria a buscar alternativas.
Essa necessidade de diversificar as fontes de importação eleva os custos, com o trigo dos Estados Unidos, por exemplo, chegando a custar **R$ 300 a mais por tonelada**. Outros parceiros comerciais, como o Paraguai, também devem exportar volumes menores neste período de escassez.
Impacto no Preço do Pão e a Busca por Soluções Estratégicas
Embora o déficit de produção de trigo no Paraná gere pressão em toda a cadeia, a relação direta com o preço do pão para o consumidor final não é imediata. O custo da farinha de trigo representa apenas uma parte do valor total de fabricação do pão francês e outros derivados.
No entanto, o cenário de **aumento nos custos de frete internacional e seguros**, influenciado por conflitos globais e incertezas climáticas como o El Niño, contribui para a pressão financeira sobre as indústrias e padarias.
A solução a longo prazo para reduzir a dependência do mercado externo passa por **recuperar a produção nacional de trigo**. Especialistas defendem o investimento em tecnologia e o desenvolvimento de variedades mais resistentes a doenças e às variações climáticas, tornando o cultivo do trigo estrategicamente atrativo novamente para o agricultor brasileiro.
O desafio é incentivar cooperativas e produtores a apostarem no grão, garantindo a **segurança alimentar do país** e diminuindo a vulnerabilidade a crises logísticas e geopolíticas internacionais.