Edmundo González, virtual vencedor da eleição venezuelana de 2024, expressa ceticismo sobre acordo entre EUA e governo Maduro, focando no bem-estar da população.
O líder oposicionista venezuelano, Edmundo González, que se consolidou como o real vencedor da eleição presidencial de 2024, em meio a alegações de fraude que mantiveram Nicolás Maduro no poder, criticou duramente o recente acordo entre os Estados Unidos e o governo chavista. O pacto permite que os EUA controlem uma parcela significativa das reservas de petróleo venezuelano, estimada em até 65 bilhões de barris.
Em uma publicação detalhada na rede social X, González, que se encontra exilado na Espanha após sofrer ameaças de prisão pela ditadura venezuelana, enfatizou que a validade de tal compromisso deve ser medida pelo impacto direto na qualidade de vida dos cidadãos venezuelanos.
“Ao falar sobre petróleo na Venezuela, surgem números impressionantes. Milhões de barris, bilhões de dólares, investimentos difíceis até de imaginar”, escreveu o opositor. Ele relembrou que a Venezuela já dispôs de vastos recursos no passado, mas questionou se essa riqueza, de fato, se traduziu em melhorias concretas para a população.
“A Venezuela já teve muito dinheiro antes. O suficiente para saber que uma coisa são os recursos que entram no país e outra muito diferente é se eles chegam, de fato, à vida das pessoas”, alfinetou González, ressaltando a discrepância entre a entrada de divisas e o benefício social.
Ele lançou uma questão crucial: “Será que, desta vez, o petróleo melhorará a vida de todos os venezuelanos? Ou apenas de alguns?” O líder oposicionista declarou que, embora **recuperar a indústria petrolífera seja necessário**, o verdadeiro objetivo deve ser **”recuperar a Venezuela, que é recuperar a vida do seu povo”**.
“A recuperação da Venezuela não pode ser medida apenas pelos barris que ela volta a produzir, mas pelas vidas que essa riqueza permita reconstruir”, afirmou González, defendendo uma visão de progresso centrada nas pessoas e não apenas nos indicadores econômicos.
Na sexta-feira, 28 de junho, o então presidente americano Donald Trump anunciou o acordo que concede aos EUA o controle de pouco mais de 20% das reservas provadas de petróleo venezuelano. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, declarou que o objetivo é **transformar o país em uma potência energética**, enquanto Trump afirmou que o petróleo venezuelano ajudaria a **preencher as reservas estratégicas americanas**, qualificando o acordo como “um presente da Venezuela para o povo dos Estados Unidos”.
É importante notar que, em janeiro, uma operação militar liderada pelos EUA resultou na captura de Nicolás Maduro, sob acusações de ligações com o narcotráfico. Desde então, Washington e Caracas restabeleceram relações diplomáticas e firmaram acordos na área de energia. No entanto, o regime chavista permanece no poder, e ainda não há previsão para a realização de eleições livres no país.
Desde a captura de Maduro, o governo Trump tem demonstrado uma postura diferente em relação à oposição venezuelana. A administração americana parou de defender a posse de Edmundo González como presidente, apesar de sua alegada vitória em 2024, e também negou apoio a outra líder oposicionista proeminente, María Corina Machado, citando falta de apoio interno suficiente dentro da Venezuela.