Nepal: A Revolta Juvenil Contra Corrupção e Censura Que Derrubou um Governo e Ecoa no Brasil
A recente discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master trouxe à tona a comparação com eventos ocorridos no Nepal. Internautas associaram o julgamento a protestos que ocorreram no país asiático em setembro de 2025, evidenciando um sentimento de insatisfação com a corrupção e a impunidade.
Essas publicações no X, antigo Twitter, citaram a revolta nepalesa como um exemplo de reação popular contra o que muitos apontam como falhas no sistema brasileiro. O julgamento no STF foi interrompido após um pedido de vista, antes que o caso envolvendo Moraes fosse analisado, alimentando ainda mais as discussões e comparações com o cenário do Nepal.
A revolta, protagonizada pela chamada Geração Z, tomou o Nepal em questão de dias, transformando a insatisfação acumulada com corrupção, nepotismo, censura e falta de oportunidades em uma crise política que culminou na queda do governo do primeiro-ministro comunista K.P. Sharma Oli. A história do Nepal serve como um alerta e um ponto de referência em debates sobre democracia e liberdade de expressão.
O Estopim da Crise: Bloqueio de Redes Sociais Desencadeia Protestos Massivos
O estopim para a crise política no Nepal foi a decisão do governo, em setembro de 2025, de bloquear 26 redes sociais e aplicativos de mensagens. As autoridades justificaram a medida alegando que as plataformas não haviam cumprido exigências regulatórias. No entanto, manifestantes e opositores viram a ação como uma clara tentativa de restringir a circulação de críticas ao governo e silenciar vozes dissidentes.
A mobilização nas ruas combinou duas grandes bandeiras: o fim do bloqueio das redes sociais e um forte clamor contra a corrupção política. A insatisfação com a gestão de K.P. Sharma Oli já vinha crescendo há meses, impulsionada por denúncias de nepotismo, desigualdade econômica e a dificuldade dos jovens em encontrar empregos no país.
A Revolta nas Ruas e a Repressão Violenta
Em 8 de setembro de 2025, milhares de jovens tomaram as ruas de Katmandu em direção ao Parlamento. A resposta da polícia foi dura, com o uso de gás lacrimogêneo, canhões de água e munição real. Segundo relatos, pelo menos 19 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas. A violência policial, ao invés de reprimir, amplificou os protestos.
No dia seguinte à repressão, o primeiro-ministro Oli renunciou ao cargo. A crise se aprofundou, evoluindo para episódios de violência e incêndios contra prédios públicos, incluindo o Parlamento e a Suprema Corte, demonstrando a magnitude da revolta popular contra o governo.
A Ascensão do “Nepo Baby” e a Luta pela Liberdade de Expressão
A insatisfação com a corrupção no Nepal ganhou força com a disseminação, nas redes sociais, de imagens e vídeos que expunham o estilo de vida luxuoso de filhos de integrantes da elite política e econômica. A campanha, que utilizava o termo “Nepo Baby”, contrastava a opulência com a dura realidade econômica da maioria da população.
O bloqueio das plataformas digitais, que incluía Facebook, Instagram, WhatsApp e YouTube, foi visto pela Anistia Internacional como uma das causas imediatas da mobilização. Mesmo com a proibição, ativistas usaram VPNs e aplicativos alternativos para continuar a organização, mostrando a força da resistência digital contra a censura governamental.
Mudança de Comando e Reflexos no Brasil
Com a queda do governo Oli, o Nepal iniciou um processo de negociação para a formação de uma administração provisória, com a ex-presidente da Suprema Corte, Sushila Karki, escolhida para liderar a transição. As eleições subsequentes, em março de 2025, levaram à vitória do Rastriya Swatantra Party (RSP), marcando uma mudança significativa no panorama político do país.
O caso do Nepal foi mencionado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que, em Washington, rejeitou a ideia de replicar os protestos nepaleses no Brasil. Ele argumentou que a resposta da direita deveria ocorrer nas urnas em 4 de outubro, alertando para o risco de episódios de desordem semelhantes ao 8 de janeiro.