Eduardo Bolsonaro ataca ex-comandante da FAB após críticas a Flávio e manifestações
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) elevou o tom em meio às divergências entre o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Eduardo acusou Baptista Júnior de desqualificar protestos pacíficos, afirmando que o militar “chama de tentativa de golpe senhorinhas e pais de famílias protestando contra o regime de exceção”.
As declarações foram feitas em seu perfil na rede social X, neste domingo (30). A Gazeta do Povo buscou contato com Baptista Júnior para obter sua versão dos fatos, e o espaço permanece aberto para manifestação.
A resposta de Baptista Júnior a Flávio Bolsonaro
A polêmica teve início após uma fala de Flávio Bolsonaro durante sabatina no Jornal Nacional. Baptista Júnior classificou como “uma leviandade” a afirmação de que ele estaria fazendo campanha para a reeleição do presidente Lula (PT).
Para o militar, a menção de Flávio seria uma tentativa de desviar o foco de questões sobre o suposto golpe de Estado. Baptista Júnior ressaltou que tal argumento seria mais compreensível vindo de um filho, “mas não de alguém que se propõe a nos presidir”.
Em sua postagem, Baptista Júnior fez referência ao seu livro, “Eu disse não! Uma trincheira antigolpista”, com lançamento previsto para setembro de 2026. Ele sugeriu que seria “prudente aguardar, ler o livro e refletir” antes de novas críticas.
O ex-comandante também direcionou uma mensagem ao coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Baptista Júnior aconselhou que não se imponha “agressivamente” um tom específico aos apoiadores da candidatura.
“Ao seu coordenador-geral da campanha, o outrora ponderado Senador Rogério Marinho, sugiro não incorporar o espírito do nosso querido Zagallo, exigindo agressivamente que ‘a tal direita consentida vai ter que nos engolir’. Lembre-se do chamamento de Fernando Collor aos ‘Caras-Pintadas'”, declarou.
O contexto do “golpe” e os depoimentos militares
Durante a sabatina, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a gravidade dos depoimentos de militares em investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado, incluindo o de Baptista Júnior.
Flávio minimizou a importância do depoimento de Baptista Júnior, afirmando: “Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”.
Baptista Júnior chefiava a FAB durante o governo de Jair Bolsonaro, enquanto o general Marco Antônio Freire Gomes liderava o Exército e o almirante Almir Garnier comandava a Marinha. A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) é de que os três teriam sido sondados para aderir a um estado de exceção, conforme a chamada “minuta do golpe”.
Segundo os depoimentos, Garnier teria sido o único a manifestar apoio à iniciativa. Ele foi condenado a 24 anos de prisão no processo do núcleo 1, o mesmo que condenou Bolsonaro a 27 anos. Freire Gomes teria, inclusive, ameaçado prender o então presidente caso o plano fosse adiante.
O episódio dos “Caras-Pintadas”
Em 1992, Fernando Collor pediu que seus apoiadores saíssem às ruas de verde e amarelo, em um momento de baixa popularidade do governo devido a denúncias de corrupção.
A resposta foi uma série de concentrações em todo o país, com estudantes utilizando roupas pretas e, posteriormente, pintando seus rostos com as cores da bandeira do Brasil, dando origem ao nome “Caras-Pintadas”. O desfecho foi o impeachment do primeiro presidente eleito por voto direto após a redemocratização do país.