Imprensa internacional destaca “bomba atômica” em caso envolvendo Alexandre de Moraes às vésperas de eleições cruciais.
A divulgação de mensagens de celular trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, pouco antes da prisão deste último em novembro de 2025, está gerando grande repercussão na mídia internacional. As informações caíram como uma “bomba atômica”, segundo o jornal espanhol El País, em um momento sensível para o cenário político brasileiro, com eleições presidenciais se aproximando.
As mensagens, que incluem uma consulta de Vorcaro a Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil, levantam questionamentos sobre a proximidade entre o ministro e o banqueiro, cujas empresas enfrentavam investigações por práticas financeiras. A imprensa estrangeira tem destacado o silêncio de Moraes diante das revelações e o potencial impacto no futuro do STF.
A Bloomberg, plataforma americana especializada em economia, ressaltou que Moraes é uma figura polarizadora no Brasil, enfrentando acusações de censura por parte de conservadores. O ministro teve um papel central em processos importantes, incluindo o que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro. A fonte da informação é a repercussão da imprensa internacional sobre o caso.
Repercussão global e comparações com “bomba atômica”
O jornal El País descreveu as revelações como uma “bomba atômica” que atingiu Alexandre de Moraes, especialmente por ocorrerem a menos de cinco semanas das eleições presidenciais. O periódico espanhol aponta que o resultado eleitoral pode influenciar diretamente o Supremo, com o vencedor tendo a oportunidade de nomear ministros e potencialmente alterar a maioria que atualmente favorece Moraes.
Moraes como figura “temida e polarizadora” no cenário brasileiro
A publicação argentina La Nación classificou Moraes como a “figura mais temida e polarizadora entre os três poderes” do Brasil. O jornal ressaltou o acúmulo de “poderes extraordinários” pelo ministro em processos no STF, o que gerou hostilidade que ultrapassou as fronteiras nacionais. O La Nación relembra que, em julho de 2025, o governo de Donald Trump revogou o visto de Moraes e impôs sanções com base na Lei Magnitsky, devido à sua atuação em processos contra Jair Bolsonaro e em ordens para que plataformas americanas removessem conteúdo.
Sanções e revogação de vistos: o alcance internacional do caso
O jornal argentino detalha ainda que, em setembro de 2025, a esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, também foi incluída na lista de sanções. No entanto, em dezembro do mesmo ano, o governo dos EUA reverteu a decisão, retirando ambos da lista. Essa sequência de eventos demonstra o alcance e a complexidade das reações internacionais às ações do ministro brasileiro.
Acusações de censura e papel central em julgamentos marcantes
A Bloomberg ecoou a visão de Moraes como uma figura polarizadora, que despertou a “ira de conservadores” que o acusam de censura em sua cruzada contra as “fake news”. A plataforma americana também destacou o papel central de Moraes no julgamento que condenou Bolsonaro sob a acusação de tramar um golpe após sua derrota nas eleições de 2022. A Bloomberg ressalta que Moraes já havia negado vínculos com Vorcaro, mas as mensagens divulgadas sugerem uma relação próxima em um período em que o Banco Master era alvo de investigações por crescimento explosivo baseado em alegações de fraudes.