Ministro da Fazenda: Rombo de R$ 5,6 bi nos Correios não é prejuízo, mas sim investimento

Ministro da Fazenda: Rombo de R$ 5,6 bi nos Correios não é prejuízo, mas sim investimento

Resumo

Diferença Crucial: Déficit Contábil vs. Prejuízo Empresarial nos Correios Debatida em Debate Econômico

O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, trouxe à tona uma distinção fundamental no cenário econômico brasileiro: a diferença entre o déficit contábil e o prejuízo efetivo de uma empresa. Sua fala, durante um debate na GloboNews, abordou o resultado financeiro dos Correios, que registrou um déficit de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, acumulando 16 trimestres consecutivos no vermelho.

Durigan, representando a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou que o que se apresenta como déficit na contabilidade pública pode, na verdade, representar investimentos da empresa. Essa perspectiva busca desmistificar a percepção de que o resultado negativo dos Correios se traduz diretamente em perdas financeiras irrecuperáveis.

A declaração, no entanto, gerou reações contundentes de representantes de outras campanhas presidenciais, que veem nos aportes governamentais um desperdício de recursos públicos e reforçam a necessidade da privatização da estatal. A discussão se intensificou, expondo visões distintas sobre a gestão e o futuro dos Correios no país. As informações foram divulgadas pelo canal GloboNews.

Oposição Critica Aportes e Defende Privatização dos Correios

Daniela Marques, representante da campanha de Flávio Bolsonaro e ex-presidente da Caixa, classificou os aportes governamentais nos Correios como um “tapa na cara do brasileiro”. Ela criticou a necessidade de sucessivos resgates financeiros para manter a estatal em operação, argumentando que isso demonstra a ineficiência do modelo de gestão atual.

Marques relembrou que, durante o governo Bolsonaro, um projeto de privatização dos Correios foi enviado ao Congresso. Ela destacou que, em contraste com outras estatais que apresentaram lucro durante a pandemia, os Correios demandaram vultosos aportes, citando valores como R$ 5 bilhões, outros R$ 5 bilhões e mais R$ 6 bilhões. “Isso é um tapa na cara do brasileiro”, reiterou.

Para a ex-presidente da Caixa, a sequência de aportes indica que a estatal não entrega os resultados esperados e acumula dívidas significativas, dificultando uma eventual venda. Ela ironizou a possibilidade de privatização, afirmando que “Se eu te entregar os Correios por R$ 1, você leva R$ 9 bilhões em dívidas. Eles não são vendáveis mais”.

Ministro da Fazenda Atribui Dificuldades ao PND e Defende Modernização

Dario Durigan reconheceu os desafios enfrentados pelos Correios, mas apontou o período em que a empresa esteve incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) como um fator limitante para seus investimentos. Segundo ele, essa inclusão impediu a modernização necessária da estatal.

“Esse problema começa quando os Correios foram colocados no PND. Isso impedia que a empresa fizesse investimentos. Veio a pandemia, todas as empresas de logística se modernizaram para atender a essa demanda, e os Correios ficaram para trás”, explicou o ministro.

Durigan afirmou que o atual governo está empenhado em modernizar a estatal e recuperar sua capacidade operacional. Ele mencionou o aporte de R$ 6 bilhões realizado para esse fim, mesmo reconhecendo que “não é algo que a gente tenha alegria em fazer”. O ministro também ressaltou que a recuperação dos Correios não impede a busca por parcerias com o setor privado.

Governo Rejeita Monopólio dos Correios na “Taxa das Blusinhas” e Defende Parcerias

Ao defender a distinção entre déficit contábil e prejuízo, Durigan apresentou um panorama geral positivo das empresas estatais, citando um lucro conjunto de R$ 170 bilhões entre 2024 e 2025. A discussão sobre o futuro dos Correios também envolveu a chamada “taxa das blusinhas”, com uma proposta em debate no Congresso que poderia garantir à estatal exclusividade na entrega de compras internacionais isentas de impostos.

A proposta em análise prevê que os Correios concentrem a logística de compras internacionais de até US$ 50, desde a liberação aduaneira até a entrega final. Contudo, Durigan deixou claro que a exclusividade não reflete a posição oficial do governo. “Não é posição do governo que, na questão da taxa das blusinhas, tudo fique com os Correios, como era no passado”, declarou.

Ele informou que o assunto ainda não havia sido tratado diretamente com ele. A busca por parcerias com a iniciativa privada foi enfatizada como um caminho para a modernização e a sustentabilidade dos Correios, sem impedir a discussão de novos modelos de negócio.

Coordenador de Caiado Defende Privatização e Redução da Estrutura dos Correios

Roberto Brant, coordenador-geral do plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD), também se manifestou a favor da privatização dos Correios. Para ele, a empresa precisa encolher sua estrutura e abandonar a obrigação de operar em todo o território nacional, considerando o modelo de negócio obsoleto.

“Não sei se alguém vai querer adquirir os Correios. O modelo de negócio é obsoleto. Ele tem que ser diminuído, é preciso tirar a obrigação de estar em todo o território e privatizar”, afirmou Brant, que também criticou os recursos públicos destinados à estatal.

Brant defendeu que o governo “está desperdiçando recursos com os Correios” e que é necessário “encontrar nichos menores” para a atuação da empresa. A visão dele reforça a pressão por uma reestruturação profunda ou pela venda da estatal para o setor privado, argumentando que a manutenção do modelo atual é insustentável.

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