Temer Aconselha Moraes a Buscar Diálogo com Mendonça em Crise no STF Após Afastamento na PF

Temer Aconselha Moraes a Buscar Diálogo com Mendonça em Crise no STF Após Afastamento na PF

Resumo

Temer intervém na crise do STF e sugere diálogo entre Moraes e Mendonça

Em meio à crescente tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF), o ex-presidente Michel Temer (MDB) revelou ter conversado com o ministro Alexandre de Moraes. O objetivo da ligação foi aconselhar o magistrado a buscar um diálogo com o ministro André Mendonça, figura central em recentes desdobramentos da crise.

Temer, que indicou Mendonça para o STF, afirmou ter recomendado ao ministro que buscasse um diálogo com o relator do caso Master, referindo-se a Mendonça pelo primeiro nome. A conversa ocorreu antes da decisão de Mendonça em afastar diretores da PF, em um cenário que o ex-presidente considera “muito grave”.

O advogado constitucionalista avalia que soluções litigiosas no âmbito do Supremo podem ser prejudiciais ao país, defendendo a negociação como o caminho mais adequado. Conforme divulgado pela CNN Brasil, Temer expressou que a solução ideal seria essa, mas ressaltou a brevidade do contato telefônico com Alexandre de Moraes.

Temer como Articulador em Conflitos Judiciais

Michel Temer tem atuado como um articulador em momentos de tensão judicial. Sua participação na conversão do projeto de lei da anistia em dosimetria, por exemplo, levou o deputado Paulinho da Força a contatar Moraes para avaliar riscos. Agora, o foco se volta para o embate que envolve decisões judiciais, o levantamento do sigilo de conversas e o afastamento de diretores da PF.

O caso se intensificou após mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao contato “Alexandre de Moraes” citarem pressões da PF e do Ministério Público Federal (MPF) para que o Banco Central agisse. Vorcaro relatou sentir uma pressão “de cima para baixo” na PF para evitar que ele falasse, o que motivou pedidos de prisão do diretor-geral da corporação.

Mendonça, por sua vez, concentrou sua decisão mais recente nos relatórios de inteligência utilizados por Moraes. Estes documentos acusavam Mendonça de tratar investigados de forma distinta e de tentar interferir na estrutura da PF. O ministro considerou os relatórios genéricos e proibiu a PF de produzir documentos que analisem a atuação de magistrados e membros da advocacia pública.

Linha do Tempo da Crise no STF

A crise se desenrolou em uma série de eventos a partir de 1º de setembro de 2026. Inicialmente, Mendonça retirou o sigilo de uma petição expondo um relatório da PF sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. No mesmo dia, Moraes determinou que a PF enviasse relatórios de inteligência que citavam ministros do STF.

Edson Fachin, presidente do STF na época, prometeu providências no dia 2 de setembro. Em 3 de setembro, Moraes divulgou uma decisão no inquérito das fake news com críticas a Mendonça, enviando o caso à Presidência. Fachin abriu prazo para manifestações de todas as partes envolvidas.

No dia 4 de setembro, Fachin complementou sua decisão, retirando o episódio do inquérito das fake news e abrindo um prazo paralelo. Em 5 de setembro, Gilmar Mendes propôs uma emenda ao Regimento Interno para proibir a atuação de delegados e policiais em gabinetes ministeriais. Flávio Dino questionou, em 7 de setembro, se um julgador poderia prometer o fim de inquéritos.

Em 8 de setembro, 13 ex-ministros enviaram uma carta a Fachin defendendo o julgamento público da controvérsia. Na mesma data, Mendonça afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada, marcando uma sessão-relâmpago na Segunda Turma. A sessão, que começou às 10h00, teve Gilmar Mendes pedindo vista, Fux e Nunes Marques antecipando votos em apoio a Mendonça, formando maioria. Posteriormente, Fux cancelou a sessão da Segunda Turma, e Mendes justificou seu pedido de vista alegando incompetência da turma.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também