Crise na PF: Mendonça, Moraes e Dino em Rixa Judicial que Afetou Diretores da Polícia Federal
O gabinete do ministro André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal (PF) protagonizam uma escalada de tensões sob o governo Lula. O conflito atingiu um ponto crítico com o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, por decisão de Mendonça, posteriormente confirmada pela maioria da Segunda Turma do STF. No entanto, uma reviravolta ocorreu com a decisão do ministro Flávio Dino de reintegrar ambos os diretores.
A situação se agravou com a intervenção do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino, buscando centralizar o caso na Presidência da Corte para evitar um conflito de ordens judiciais. A crise envolve agora altas figuras do Judiciário e da segurança pública, com ramificações políticas significativas.
A cronologia dos eventos revela um rastro de atritos que começaram com a relatoria de Mendonça em investigações sensíveis, como a do Banco Master, e se estenderam a apurações sobre fraudes no INSS, que alcançam pessoas próximas ao governo. A PF interpretou algumas determinações do ministro como interferência em sua autonomia administrativa. Conforme informação divulgada, a crise se intensificou com a produção de relatórios pela inteligência da PF sobre a atuação de Mendonça, gerando desconfiança e acusação de monitoramento sistemático.
O Início dos Atritos: Relatoria e Restrições de Acesso
Um dos primeiros focos de tensão surgiu quando André Mendonça assumiu a relatoria da investigação do Banco Master. Na ocasião, o ministro impôs restrições ao acesso a informações do inquérito, concentrando dados nas mãos de policiais diretamente envolvidos e limitando compartilhamentos com a cúpula da PF. Essa medida foi vista pela corporação como uma redução de sua autonomia e uma demonstração de desconfiança.
Ao longo de março e abril, Mendonça intensificou as exigências, incluindo controle sobre o fluxo de documentos e a composição das equipes de investigação. A PF passou a entender que as determinações judiciais do ministro ultrapassavam o controle jurisdicional, invadindo a gestão interna da corporação como polícia judiciária.
Insatisfação com o Ritmo e o Caso INSS
Em junho, a insatisfação de Mendonça com o ritmo das investigações sobre fraudes no INSS, que atingiam pessoas ligadas ao governo, adicionou outra camada de complexidade à crise. Inquéritos relacionados a este caso, inclusive um sob relatoria de Flávio Dino, investigam Fávio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, por suposto tráfico de influência, embora a defesa negue irregularidades.
Em julho, Mendonça restringiu ainda mais o controle sobre os dados da investigação do INSS, determinando que os atos fossem concentrados em sua relatoria, incluindo depoimentos e materiais apreendidos. Houve suspeitas de vazamento de informações, levando o ministro a exigir comunicação prévia sobre mudanças na equipe e o envio de extrações de dados para o gabinete do STF.
Relatórios da PF e a Escalada para o STF
Em agosto e setembro, a crise avançou significativamente. A área de inteligência da PF produziu relatórios apontando possível direcionamento e interferência política nas investigações de Mendonça. Documentos analisaram as decisões do ministro nos casos Master e INSS, levantando suspeitas sobre sua atuação e uma possível aproximação com o AGU, Jorge Messias.
O ponto de virada ocorreu em 1º de setembro, quando, segundo Mendonça, Andrei Rodrigues encaminhou relatórios a Alexandre de Moraes. Moraes teria utilizado esse material para questionar a conduta de Mendonça, transformando a disputa interna da PF em um embate direto entre os dois ministros do STF. Em 3 de setembro, Moraes levantou o sigilo dos relatórios no inquérito das fake news, tornando pública a análise da inteligência da PF sobre Mendonça, que continha ressalvas sobre sua confiabilidade como prova.
Afastamento, Reintegração e Intervenção de Fachin
Em 8 de setembro, em meio à escalada de desconfiança, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, citando risco de continuidade de práticas ilícitas e interferência de investigados. A decisão foi submetida à Segunda Turma do STF, onde obteve maioria para ser mantida, com o acompanhamento de Luiz Fux e Nunes Marques. Gilmar Mendes pediu análise pelo Colegiado.
Contudo, em 9 de setembro, o ministro Flávio Dino decidiu pela reintegração dos diretores da PF. Juristas apontaram falhas na decisão de Dino, como a atuação como revisor de Mendonça sem hierarquia entre ministros e questionamentos sobre sua imparcialidade, visto que foi chefe de Rodrigues anteriormente. Diante do conflito de ordens judiciais, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu ambas as decisões, determinando que a Presidência da Corte centralize o caso, buscando restaurar a ordem pública e a integridade do tribunal.