Crise no STF: 51,6% dos brasileiros acreditam que ministros decidem por interesse próprio, aponta pesquisa Meio/Ideia

Crise no STF: 51,6% dos brasileiros acreditam que ministros decidem por interesse próprio, aponta pesquisa Meio/Ideia

Resumo

Maioria da população brasileira desconfia das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma nova pesquisa aponta que mais da metade dos cidadãos acredita que os ministros agem por interesse próprio, e não estritamente pela lei. Os dados refletem um cenário de crescente insatisfação com a atuação da Corte.

A desconfiança em relação ao STF é um sentimento que atinge uma parcela significativa da população. Uma pesquisa recente, divulgada nesta quarta-feira (9), traz números alarmantes sobre a percepção pública acerca das decisões tomadas pelos ministros da mais alta corte do país. Mais de 50% dos brasileiros acreditam que os julgamentos são influenciados por interesses pessoais.

Este cenário de descrença pode ser reflexo das recentes tensões internas entre os próprios ministros do STF. Trocas de acusações e pedidos de investigação entre nomes como André Mendonça e Alexandre de Moraes têm sido noticiados, alimentando o debate público sobre a imparcialidade da justiça. A pesquisa busca capturar justamente essa percepção.

Os resultados da pesquisa Meio/Ideia, realizada entre os dias 4 e 7 de setembro, indicam um **profundo abismo entre a percepção da sociedade e a atuação esperada dos ministros do STF**. Apenas uma pequena minoria demonstra total confiança na Corte, enquanto uma grande fatia se declara com pouca ou nenhuma fé no trabalho realizado.

Pesquisa revela que mais da metade dos brasileiros desconfia do STF

Conforme a pesquisa Meio/Ideia, **51,6% dos brasileiros avaliam que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tomam decisões “mais por interesse próprio do que pela lei”**. Este dado é o principal indicador da desconfiança generalizada na Corte. A percepção é de que as balanças da justiça podem pender para lados que não se baseiam unicamente na legislação.

Em contrapartida, uma parcela menor, de **10,9%, discorda dessa tese**, acreditando que os integrantes do STF, de fato, seguem a legislação em suas decisões. Outros **23,9%** se posicionaram de forma neutra, afirmando que nem concordam nem discordam da frase em questão. Por fim, **13,6%** dos entrevistados não souberam ou não responderam à pergunta.

Troca de farpas entre ministros pode ter influenciado a pesquisa

O levantamento foi realizado em um período de **tensões visíveis entre os ministros do STF**. Especificamente, a pesquisa ocorreu após a troca de pedidos de investigações entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Mendonça, em 1º de setembro, levantou o sigilo de uma troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Dois dias depois, em 3 de setembro, Alexandre de Moraes solicitou autorização para investigar o próprio Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. Esses eventos, de grande repercussão midiática, certamente contribuíram para a formação da opinião pública refletida na pesquisa.

Nível de confiança no STF é baixo entre os brasileiros

Além da percepção sobre o motivo das decisões, a pesquisa Meio/Ideia também mediu o **nível de confiança dos entrevistados no Supremo**. Os resultados mostram um quadro preocupante para a instituição. Apenas **21,3% declararam não ter nenhuma confiança na Corte**, enquanto **28,4% disseram ter pouca confiança**.

A soma desses dois grupos representa quase metade dos entrevistados demonstrando baixa ou nenhuma confiança. Do lado oposto, **31,2% afirmaram ter alguma confiança** no trabalho do Tribunal. O dado mais expressivo em termos de confiança positiva é que somente **7,3% relataram ter muita confiança** no STF.

Metodologia da pesquisa Meio/Ideia

A pesquisa Meio/Ideia ouviu **1.500 pessoas com idade acima de 16 anos**, entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026. A margem de erro é de **2,5 pontos percentuais** para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O estudo foi financiado com recursos do próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07935/2026.

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