Professor de Processo Penal se sente "palhaço" após STF ignorar regras básicas em julgamento de Alexandre de Moraes

Professor de Processo Penal se sente “palhaço” após STF ignorar regras básicas em julgamento de Alexandre de Moraes

Resumo

Professor de Processo Penal critica STF: “Me sinto um palhaço”

Um vídeo em que o professor de Processo Penal da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Daniel Duarte, desabafa com seus alunos viralizou nas redes sociais. A fala ocorreu na última terça-feira (15), após o professor acompanhar uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que debatia a possibilidade de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master.

Duarte, que leciona a disciplina há 16 anos, expressou sua frustração com o que percebe como um distanciamento entre o que é ensinado nas universidades e a prática jurídica no país. Ele citou que, enquanto a academia discute e reflete sobre as leis de processo penal, a mais alta corte do país parece ignorar princípios fundamentais.

O desabafo, que já ultrapassou 360 mil visualizações, não possui viés ideológico, mas sim acadêmico. O professor argumenta que os ministros citam autores e professores de Direito em seus votos, mas, segundo ele, não aplicam os preceitos básicos do processo penal, como o devido processo legal e o afastamento de julgador envolvido na própria causa. A declaração foi feita no campus de Governador Valadares (MG), conforme informações divulgadas pelo professor à Gazeta do Povo.

Críticas à falta de clareza procedimental e à atuação de juízes em investigações

Um dos pontos levantados por Daniel Duarte foi a falta de clareza no rito processual adotado pelo STF durante a sessão. Ele observou que o plenário dedicou parte significativa do julgamento à discussão sobre a tramitação conjunta de petições envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o que, para ele, gerou insegurança jurídica.

O professor também criticou o que considera uma **inversão do sistema acusatório**, onde as funções de investigar, acusar e julgar deveriam ser separadas. Ele apontou que o ministro Alexandre de Moraes, que em determinado momento criticou a ausência de um pedido formal da acusação para investigá-lo, atuou como investigador e julgador no inquérito das fake news, tomando medidas de ofício.

Duarte questionou a atuação do Ministério Público, que não teria feito um pedido expresso de investigação contra os ministros. Ele ressaltou que o órgão ministerial não deveria se envolver em ações movidas por interesse pessoal ou com vínculos a alguma das partes. Contudo, o professor mencionou citações do próprio Procurador-Geral da República em mensagens divulgadas do celular de um ex-banqueiro, o que, segundo ele, levanta dúvidas sobre a isenção do órgão.

O abismo entre a teoria e a prática do Processo Penal

Para o professor, os eventos recentes demonstram um **distanciamento alarmante entre a teoria ensinada nas universidades e a aplicação concreta do processo penal no Brasil**. Ele lamentou que os mais importantes juristas do país, em sua visão, não estejam dando o exemplo esperado na condução dos casos.

O desabafo de Daniel Duarte reflete a preocupação de muitos acadêmicos e profissionais do Direito com a forma como os princípios processuais têm sido interpretados e aplicados nas instâncias superiores. A **sensação de impotência** diante de decisões que parecem contrariar o que é ensinado como base do Estado Democrático de Direito é palpável.

A importância dos princípios do devido processo legal e da imparcialidade

O professor enfatizou a relevância de princípios como o **devido processo legal** e o **afastamento de julgador envolvido na investigação**. Ele questiona se os ministros podem atuar como juízes de suas próprias causas, algo que, segundo ele, é ensinado como inaceitável desde o ensino básico do Direito.

A postura de Duarte busca alertar para a necessidade de **respeito às normas processuais** e à **separação de poderes**, pilares fundamentais para a garantia da justiça e da segurança jurídica em qualquer nação. O vídeo serve como um chamado à reflexão sobre a integridade e a coerência do sistema judicial brasileiro.

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