Aliado de Temer anuncia plano para levá-lo de volta à disputa presidencial em 2026
O ex-ministro Carlos Marun, um dos mais próximos aliados de Michel Temer, revelou nesta segunda-feira (26) que tentará convencer o ex-presidente a concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro. A ideia de Marun é que Temer represente uma alternativa fora dos polos atuais, buscando **reduzir a polarização** entre os apoiadores de Lula e Bolsonaro.
Segundo Marun, a possível candidatura de Temer teria como principal objetivo **devolver protagonismo ao centro político**, que, na sua visão, tem sido deixado de lado no debate eleitoral. Ele avalia que o cenário atual abre espaço para uma figura como a do ex-presidente.
A iniciativa parte de uma **insatisfação pessoal de Marun** com o quadro político, declarando que não se vê votando em Lula, por ser constantemente chamado de “golpista” devido ao impeachment de Dilma Rousseff, nem no senador Flávio Bolsonaro, que ele considera uma aposta da direita ligada a Jair Bolsonaro. A notícia foi divulgada pela Folha de S. Paulo.
Temer como “terceira via” para unir o país
Carlos Marun afirmou, em entrevista à Folha de S. Paulo, que a candidatura de Michel Temer seria “consistente”, independentemente do resultado. Ele acredita que, no mínimo, o ex-presidente cumpriria um papel importante na política nacional. Marun disse que ainda não conversou oficialmente com Temer sobre essa possibilidade, mas que **vai procurá-lo ainda esta semana** para apresentar seus argumentos.
O ex-ministro destacou que Temer demonstra empolgação ao falar de política e que está em “plena saúde física e mental”, o que, para ele, justifica a tentativa de convencê-lo. Marun, que fez parte da chapa de Dilma Rousseff em 2014 e depois assumiu a presidência após o impeachment, vê em Temer a capacidade de **unificar o país**.
Críticas aos extremos e espaço para o centro
Marun expressou sua insatisfação com o cenário eleitoral atual, ressaltando que **não se identifica com a direita aliada de Bolsonaro**. Ele criticou a viagem de Flávio Bolsonaro a Israel no início de sua pré-campanha, apontando suas próprias posições críticas ao primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, devido às suas origens libanesas.
Por outro lado, Marun também **rejeita a candidatura de Lula**, citando as frequentes acusações de “golpista” feitas pelo petista em relação ao impeachment. Ele vê em Temer a figura ideal para preencher o vácuo deixado pelos extremos, fortalecendo o centro político.
Conversas com o MDB e o futuro do partido
O ex-ministro também pretende dialogar com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, sobre o projeto político de uma eventual candidatura de Temer. Marun acredita que essa movimentação **poderia ajudar a unificar o MDB**, que atualmente se encontra dividido entre alas alinhadas ao governo Lula e outras que se aproximam de Bolsonaro.
Embora reconheça nomes como os dos governadores Ratinho Jr. (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS) como possíveis representantes do centro, Marun defende que a bandeira se encaixa melhor no MDB, partido de Michel Temer. A intenção é **construir uma alternativa robusta** que dialogue com diferentes setores da sociedade brasileira.