Banqueiro Daniel Vorcaro Sinaliza Delação Premiada à PF após Nova Prisão; Defesa Nega Tratativas

Banqueiro Daniel Vorcaro Sinaliza Delação Premiada à PF após Nova Prisão; Defesa Nega Tratativas

Resumo

O banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao liquidado Banco Master, teria sinalizado à Polícia Federal a intenção de firmar um acordo de delação premiada. A informação surge após sua nova prisão, ocorrida na semana passada durante a terceira fase da operação Compliance Zero. Vorcaro foi detido novamente sob suspeita de envolvimento em fraudes financeiras e por comandar um esquema de ameaças e coação a desafetos, incluindo o uso de violência.

Fontes próximas à investigação e à prisão de Vorcaro, que está detido na Penitenciária Federal de Brasília, indicam que essa sinalização se intensificou após sua transferência da Penitenciária 2 de Potim, em São Paulo, para a unidade de segurança máxima. As condições mais rigorosas do presídio federal teriam sido um fator determinante para essa mudança de postura.

Contudo, a defesa do banqueiro nega veementemente qualquer possibilidade de delação, classificando as informações como “inverídicas”. Em nota, os advogados afirmaram que tais notícias “jamais partiram de qualquer dos advogados envolvidos no caso” e que sua divulgação visa unicamente “prejudicar o exercício da defesa nesse momento sensível”.

Apesar da suposta intenção de colaborar e delatar o esquema para obter benefícios na pena, nenhum documento oficial de acordo de delação premiada foi assinado. As tratativas, segundo as fontes, ainda estão em fase inicial e podem depender do julgamento de um habeas corpus de Vorcaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para esta sexta-feira (13), pela Segunda Turma. O caso será analisado pelos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux, já que Dias Toffoli se declarou impedido.

Relatos de fontes indicam que Daniel Vorcaro teria manifestado aos seus advogados o desejo de colaborar, demonstrando receio de permanecer preso por um longo período. Paralelamente, há informações sobre movimentações políticas de partidos do centrão que estariam tentando intervir para libertá-lo, com o objetivo de evitar uma delação premiada que poderia comprometer parlamentares e outras autoridades.

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente após investigações da Polícia Federal descobrirem que ele liderava uma suposta “milícia privada” para intimidar testemunhas, ex-funcionários e jornalistas. O esquema envolvia também a cooptação de dois servidores do Banco Central, mediante pagamento de propina, para obter informações privilegiadas sobre apurações contra o Banco Master.

O grupo criminoso contaria com a participação do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que seria o operador financeiro, e de Luiz Phillipi Machado Mourão, conhecido como “Sicário”, que se suicidou na prisão. O ex-policial federal Marilson Roseno da Silva também estaria envolvido.

Os servidores do Banco Central afastados, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, atuavam em áreas de fiscalização e controle e seriam responsáveis por medidas tomadas contra o Master. Eles não foram presos, mas formalmente afastados de suas funções na autoridade monetária.

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