O Poder de Alexandre de Moraes: De Tolerado a Questionado por Diversos Setores da Sociedade Brasileira
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), viu seu poder e influência crescerem significativamente ao longo dos anos. Inicialmente, suas ações, como a abertura do Inquérito das Fake News em 2019, foram amparadas por uma parcela considerável da sociedade, vista como uma resposta necessária aos ataques às instituições democráticas.
As medidas adotadas, como prisões e bloqueios de contas, eram frequentemente justificadas como um preço a ser pago para conter movimentos que ameaçavam o Estado de Direito. Quem ousava questionar os métodos de Moraes, muitas vezes, era associado aos grupos que ele dizia combater, o que silenciava muitas críticas.
No entanto, o cenário começou a mudar. Revelações posteriores e o alargamento dos alvos das investigações, que deixaram de ser exclusividade de bolsonaristas, trouxeram novas perspectivas. A exposição de usos informais do aparato judicial, como revelado pela Vaza Toga, e operações que atingiram figuras fora do espectro político inicialmente visado, tornaram o silêncio insustentável para muitos. Assim, conforme informações da Gazeta do Povo, um fenômeno notável se formou: figuras e entidades de diferentes espectros políticos, que antes apoiavam ou toleravam a atuação de Moraes, passaram a questioná-la publicamente, em uma revisão de posições diante de fatos novos.
OAB: Do Apoio Inicial ao Alerta sobre Inquéritos Perpétuos
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Federal manifestou apoio à abertura do Inquérito das Fake News em março de 2019, declarando que a entidade apoiava as medidas adotadas pelo STF para coibir a disseminação de notícias falsas e os ataques às instituições democráticas. Durante anos, a entidade manteve-se em silêncio enquanto a atuação de Moraes se expandia.
Contudo, em fevereiro de 2026, um ofício conjunto dos 27 presidentes estaduais da OAB sinalizou uma mudança de postura. A manifestação afirmava que “um inquérito deve apurar fatos específicos e não se transformar em uma investigação de natureza perpétua. O tom intimidatório alimentado por esse quadro é incompatível com o espírito democrático consagrado pela Constituição de 1988.”
Senadores: De Aliados a Impetrantes de Impeachment
Hamilton Mourão, senador, é um dos que admitiu ter se enganado. Em dezembro de 2022, em cadeia nacional, ele afirmou que o Brasil vivia em uma “democracia pujante e plural”. Já em agosto de 2024, no plenário do Senado, Mourão retratou-se, declarando: “Em meu discurso como presidente da República em exercício, no dia 31 de dezembro de 2022, enganei-me redondamente ao pensar e dizer que vivíamos em uma democracia pujante.” Ele atribuiu essa mudança a um “necessário amadurecimento diante da constatação de que os direitos individuais dos brasileiros se encontram hoje vulneráveis a preferências subjetivas de uma autoridade de Estado”.
Oriovisto Guimarães, outro senador, que em agosto de 2021 pediu aos colegas que “emprestassem os ombros” ao STF para “dizer um redondo ‘não’ a essa tentativa de desestabilização da democracia”, em agosto de 2025 assinou um pedido de impeachment contra o ministro. Sua mudança de perspectiva foi expressa na frase: “O equilíbrio entre os Poderes é essencial. Não podemos aceitar que só um decida por todos.”
Jorge Kajuru, que em fevereiro de 2022 elogiou a atuação de ministros como Moraes para “enquadrar as tentativas de minar a credibilidade do processo eleitoral”, em agosto de 2025 declarou que “o Brasil precisa de um STF forte, mas que exerça seu poder com autoridade moral, construída com exemplo, transparência e responsabilidade. Isso não é o que vemos hoje.” Kajuru já havia sido o primeiro parlamentar a pedir o impeachment de Moraes em 2021 e, posteriormente, assinou um segundo pedido.
Outras Figuras Públicas e a Mudança de Discurso
Ciro Gomes, que em agosto de 2022 defendia que “os brasileiros que amam a democracia têm de acatar a palavra derradeira da nossa Suprema Corte”, em agosto de 2024 usou a metáfora: “Ele [Moraes] bate lateral, faz o gol de cabeça, como juiz valida, embora haja uma queixa de impedimento, e faz ele mesmo a perícia do VAR no lance.”
Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, que em fevereiro de 2021 afirmou que “cada Poder tem a sua atribuição. A independência entre os poderes preconiza isso”, em julho de 2025 declarou: “Os magistrados não são eleitos pelo povo, o que compromete a legitimidade de suas decisões. O Judiciário ultrapassa os limites de atuação do Executivo e do Legislativo.” Críticos apontam que a crítica de Lira a Moraes só veio após ele não ter mais o que proteger.
Renan Santos, líder do MBL, cuja organização apoiou ações de Moraes contra Bolsonaro, em novembro de 2025 afirmou: “O ministro Alexandre de Moraes está executando uma vingança contra Bolsonaro.” O próprio Renan destacou que o MBL critica Moraes há anos e que questionamentos sobre seus métodos não invalidam as críticas ao bolsonarismo.
Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, em julho de 2025 defendeu Moraes publicamente contra sanções dos EUA. Contudo, em novembro do mesmo ano, Leite já falava em impeachment, citando “indícios que sugerem haver uma relação espúria entre ministros do STF e investigados na operação Banco Master.”
O youtuber Felipe Neto, que em abril de 2024 defendia o STF contra críticas de censura, anunciando seu afastamento do debate público em fevereiro de 2025, declarou: “Me envolvi em muita confusão, muitos problemas. A militância me levou para uma estrada que nunca quis entrar.” Sua mudança se deu pela ausência de manifestação pública sobre os desdobramentos recentes.