Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, desaparece do radar digital e das investigações da CPI
O paradeiro da influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, tornou-se um dos principais pontos de incerteza em meio ao avanço das investigações em torno do Banco Master. Convocada para prestar depoimento em duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), a do INSS e a do Crime Organizado, ela não respondeu às tentativas de contato.
Essa ausência levanta a possibilidade de condução coercitiva, medida já mencionada pelo presidente da CPI do Crime Organizado, Fabiano Contarato (PT-ES). Segundo o senador, a CPI esgotou diferentes meios de tentativa de localização, incluindo e-mails, telefonemas, correspondências e até telegrama, além de contato com o escritório de advocacia que representa a influenciadora no Brasil, sem obter retorno.
A suspeita é de que Graeff esteja atualmente nos Estados Unidos, mas a informação não foi confirmada oficialmente, o que intensifica o impasse em torno de sua convocação. A reportagem da Gazeta do Povo também buscou contato com o advogado de Martha Graeff para saber como a possibilidade da condução coercitiva foi recebida, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, em nota enviada à imprensa no dia 10 de março, a influenciadora, por meio de seu advogado, negou envolvimento com as atividades profissionais ou financeiras de Vorcaro e disse que processará quem participou do vazamento de mensagens relacionadas a ela.
Silêncio digital e aumento de seguidores: um paradoxo nas redes sociais
Apesar da incerteza sobre sua localização física, o comportamento digital de Martha Graeff oferece pistas indiretas. Conhecida por manter presença constante nas redes sociais, a influenciadora interrompeu abruptamente suas publicações após o vazamento de mensagens trocadas com o ex-noivo, o banqueiro Daniel Vorcaro. Seu perfil no Instagram permanece sem atualizações desde o início de março, contrastando com seu histórico recente de conteúdos sobre estilo de vida e bem-estar.
Paradoxalmente, o engajamento em seu perfil aumentou significativamente. Em poucas semanas, o número de seguidores saltou de cerca de 600 mil para aproximadamente 712 mil, indicando que a exposição do caso ampliou o interesse público em torno de sua figura, ainda que ela própria tenha optado por não se manifestar publicamente sobre os acontecimentos.
Mudanças na imagem pública: dissociação de marca em meio à crise
Outro elemento que chama atenção é a alteração nas informações públicas de seu perfil. Martha removeu referências à sua marca, a Happy Aging, o que pode indicar uma tentativa de dissociar sua imagem pessoal de atividades comerciais em meio à crise. Essa estratégia, no entanto, não foi replicada integralmente no ambiente digital, pois o perfil da empresa segue ativo e com publicações frequentes, sugerindo que o negócio continua operando.
Ausência de Martha Graeff impacta CPI do Crime Organizado
A falta de localização clara e a ausência de resposta oficial têm impacto nos trabalhos da CPI do Crime Organizado. Senadores avaliam que o depoimento da influenciadora Martha Graeff pode ajudar a esclarecer conexões ainda nebulosas entre relações pessoais e possíveis desdobramentos financeiros investigados. Os senadores Marcos do Val e Alessandro Vieira, autores dos requerimentos de convocação da influenciadora, argumentam que seu depoimento é importante, especialmente no que diz respeito à circulação de recursos e eventuais irregularidades associadas ao banco.
Mensagens trocadas entre Martha Graeff e Daniel Vorcaro, que vieram a público recentemente, reforçaram o interesse da CPI em ouvi-la. Para os senadores, o conteúdo dessas conversas pode fornecer elementos adicionais sobre a dinâmica de relações pessoais e profissionais que orbitam o caso. Um dos pontos destacados é o fato de Martha Graeff ter sido informada, em tempo real, sobre o teor de uma reunião extraoficial realizada no Palácio do Planalto, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e o então indicado à presidência do Banco Central, Gabriel Galípolo.
“Ela recebeu esse relato no exato momento em que ele ocorria e pode, portanto, iluminar aspectos que nenhum outro depoente reuniria condições de detalhar: os objetivos que Vorcaro perseguia, as expectativas que expressou e as conclusões que tirou da reunião”, afirmou o senador Alessandro Vieira ao justificar o requerimento de convocação de Martha. A condução coercitiva é um instrumento legal que obrigaria a presença de Martha Graeff perante os senadores, e a ação será debatida entre os membros da CPI em reunião ainda sem data definida.