Irã divulga mapa com minas em Ormuz e intensifica pressão sobre EUA após cessar-fogo
Um mapa divulgado pelas agências iranianas Isna e Tasnim nesta quinta-feira (9) levanta novas preocupações sobre a segurança no Estreito de Ormuz. A publicação sugere que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã teria posicionado minas marítimas na estratégica passagem durante o recente conflito com os Estados Unidos e Israel, que teve início em 28 de fevereiro e encontra-se em um frágil cessar-fogo desde terça-feira (7).
O mapa em questão exibe um grande círculo identificado como “zona de perigo”, indicando que o tráfego de navios estaria restrito a uma área próxima à Ilha de Larak, localizada ao norte do estreito e perto do território iraniano. Essa informação, divulgada pelas agências de notícias iranianas, é vista como uma tática de pressão sobre os Estados Unidos.
A exigência americana para o cessar-fogo de duas semanas, período no qual os termos de uma paz definitiva serão negociados, incluía a **reabertura total de Ormuz**. Por essa rota, transitavam aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos globalmente antes do conflito. Conforme informações da agência Associated Press, os poucos navios que conseguiram navegar por Ormuz antes do cessar-fogo já utilizavam essa rota mais restrita.
Irã reitera bloqueio e alega desrespeito à trégua
Apesar do acordo de cessar-fogo, o Irã voltou a obstruir a passagem em Ormuz na quarta-feira (8). O governo iraniano justificou a ação alegando que a trégua foi desrespeitada devido a ataques de Israel ao Líbano, onde o país enfrenta o Hezbollah, grupo aliado do Irã. No entanto, Estados Unidos e Israel afirmam que o acordo de cessar-fogo com o Irã não abrange a situação no Líbano.
Impacto no tráfego marítimo e pressão diplomática
A divulgação do mapa e a persistência do bloqueio em Ormuz demonstram a estratégia do Irã em utilizar a rota marítima como moeda de troca nas negociações. Dados de navegação obtidos pela agência Reuters indicam que apenas seis embarcações conseguiram atravessar o estreito nas últimas 24 horas, evidenciando a **dificuldade de acesso** e o impacto direto na cadeia de suprimentos energética global.
Incertezas sobre a remoção das minas marítimas
O mapa divulgado pelas agências iranianas estava datado de 28 de fevereiro a 9 de abril. Ainda não há informações claras se a Guarda Revolucionária removeu as minas marítimas da passagem nas últimas horas, aumentando a incerteza sobre a **segurança e a normalização do tráfego** em Ormuz. A situação continua tensa, com o Irã utilizando a capacidade de controle sobre a rota como forma de pressionar os Estados Unidos a cumprirem suas promessas.