Deltan Dallagnol levanta suspeitas sobre o caso Master e a atuação do ministro Alexandre de Moraes
O ex-procurador Deltan Dallagnol expressou forte desconfiança sobre as recentes revelações envolvendo o Banco Master e a esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em entrevista ao programa Última Análise, Dallagnol apontou o que considera serem “coincidências demais” em relação a pagamentos e decisões judiciais.
As informações divulgadas apontam que Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, teria recebido R$ 80 milhões do Banco Master. No entanto, Viviane negou a informação e questionou a origem da divulgação. Dallagnol destacou que, segundo consultas a escritórios de advocacia, valores semelhantes não seriam pagos por serviços de consultoria jurídica, sugerindo que o montante estaria ligado à atuação de Alexandre de Moraes.
O caso ganha contornos ainda mais complexos com o aumento expressivo no número de processos defendidos pelo escritório de Viviane em tribunais superiores após 2017, ano em que Alexandre de Moraes se tornou ministro do STF. O vereador Guilherme Kilter também criticou a situação, afirmando que mais informações comprometedoras sobre o magistrado podem vir à tona, especialmente pelo vultoso valor do contrato em questão.
Aumento de casos e valores milionários sob escrutínio
O escritório de Viviane Barci de Moraes registrou um crescimento de quase 500% em casos nos tribunais superiores desde que seu marido assumiu uma cadeira no STF. Deltan Dallagnol comentou que esses valores “jamais passariam de R$ 7 milhões de reais”, questionando a legitimidade do pagamento de R$ 80 milhões.
“Nem os escritórios americanos recebem isso. Por isso, vem à mente de todos que este valor não foi pago em razão dos serviços da Viviane, mas em razão de Alexandre de Moraes”, afirmou o ex-procurador, levantando a hipótese de que o pagamento teria motivações alheias à prestação de serviços jurídicos.
Moraes e a ação sobre delações premiadas
Em paralelo às discussões sobre o caso Master, Alexandre de Moraes liberou para julgamento uma ação apresentada pelo PT que discute os limites da delação premiada no Brasil. Essa ação estava suspensa desde o ano passado e volta à pauta em um momento delicado, com negociações de acordo de colaboração envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Dallagnol ironizou a decisão, classificando-a como “coincidência demais”. Ele argumentou que a ação, se aprovada, poderia “destruir as delações premiadas no Brasil, justamente quando o magistrado pode ser alvo de uma, no caso do Master”.
Críticas à atuação do ministro e possíveis intenções
O escritor Francisco Escorsim interpretou a movimentação de Moraes como uma tentativa clara de frear investigações. “Moraes não tem freio moral, só uma convicção pessoal”, declarou Escorsim, sugerindo que o ministro estaria enfrentando dificuldades ao perceber a limitação de seu poder, que agora pode estar sob influência de outros ministros, como André Mendonça.
O programa Última Análise, do qual Dallagnol participou, é uma produção ao vivo da Gazeta do Povo, exibida no YouTube. O debate busca analisar temas complexos de forma aprofundada e racional, abordando questões que impactam os rumos do país.