Brasil desponta como potência global na produção de mel, com cidades estratégicas dominando o cenário nacional e internacional.
O Brasil se destaca como um dos maiores produtores de mel do mundo, gerando perto de 60 mil toneladas anualmente, com mais da metade destinada à exportação. Em 2025, este mercado promissor gerou um faturamento expressivo de US$ 109,75 milhões.
A concentração da produção e exportação de mel em cinco cidades brasileiras é um reflexo da exploração inteligente da geografia local e da adoção de práticas inovadoras. Essas regiões se beneficiam de ambientes naturais propícios, afastados de áreas de monocultura, com morros e matas que favorecem o desenvolvimento das colmeias.
O presidente da Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura (CBA), Sérgio Farias, explica que outras cidades apostam na integração entre lavoura e apicultura, produzindo mel a partir da florada de culturas como soja e girassol. Conforme informações divulgadas pela CBA, o mel proveniente de florada silvestre é altamente reconhecido, enquanto o produzido em lavouras, técnica que ganha espaço, exige a suspensão do uso de defensivos agrícolas, preservando as abelhas e podendo elevar o rendimento da soja entre 10% e 20%. Uma única colmeia pode produzir até 50 quilos de mel.
Santa Luzia do Paruá (MA) lidera a produção nacional de mel.
No topo do ranking nacional, Santa Luzia do Paruá, no Maranhão, alcança a impressionante marca de 1.181,5 toneladas de mel, consolidando-se como o principal polo produtor do país. A região se beneficia de um ambiente natural favorável, com vasta vegetação nativa que garante a diversidade de floradas para as abelhas.
Em segundo lugar, Arapoti, no Paraná, produz 1.125,1 toneladas, sustentando o protagonismo do estado no setor apícola. A cidade paranaense também se destaca pela qualidade do seu mel, como o de Ortigueira, que obteve o selo de Denominação de Origem (DO) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
São Raimundo Nonato, no Piauí, figura na quarta posição com 922,4 toneladas, reforçando a força do estado no mercado de mel. A produção piauiense se beneficia das condições climáticas e da flora característica da região.
Diversificação de mercados e desafios na exportação de mel.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino do mel brasileiro, apesar de desafios como tarifas elevadas que impactaram alguns volumes. Há um esforço crescente para diversificar mercados, com foco na Europa, Canadá e mercados emergentes na Ásia e Oriente Médio, segundo o presidente da CBA.
Recentemente, o Paraná liderou as exportações de mel no início de 2026, com a venda de 448 toneladas e receita de US$ 1,6 milhão. Minas Gerais ficou em segundo lugar, exportando 410 toneladas. Santa Catarina, Piauí e Bahia completam a lista dos cinco principais exportadores, demonstrando a importância dessas regiões para o agronegócio brasileiro.
No entanto, o presidente da CBA alerta para a necessidade de superar desafios competitivos, como a concorrência de países com custos menores e maior escala, além de questões relativas a padrões fitossanitários e barreiras comerciais.
Brasil: um tesouro de biodiversidade de abelhas e consumo interno em crescimento.
O Brasil ostenta a maior diversidade de abelhas do planeta, com cerca de 3 mil espécies nativas conhecidas, incluindo 255 espécies sem ferrão. Essa riqueza natural contribui para a alta qualidade do mel brasileiro, reconhecida internacionalmente.
A cadeia da apicultura e da meliponicultura no Brasil gera mais de 350 mil empregos diretos e indiretos, conforme dados do IBGE. Apesar disso, o consumo interno de mel no país ainda é baixo, cerca de 60 gramas per capita por ano, bem abaixo da média mundial de 240 gramas.
Do total consumido no Brasil, 53% é mel de mesa, 35% é utilizado pela indústria de alimentos e 11% abastece setores como cosméticos e ração animal. Há um potencial significativo para o aumento do consumo interno, impulsionado pela crescente conscientização sobre os benefícios do mel para a saúde e bem-estar.