Tallis Gomes, o empreendedor disciplinado que vê a CLT como entrave e a disciplina militar como chave do sucesso
Aos 39 anos, Tallis Gomes acumula feitos notáveis no mundo dos negócios. Criou e vendeu a Easy Taxi por R$ 1 bilhão, foi reconhecido pelo MIT como um dos empreendedores mais inovadores do mundo e hoje preside a G4, plataforma de soluções empresariais com projeção de R$ 1 bilhão em receita. Sua trajetória é marcada por uma profunda crença na disciplina, moldada por uma criação com fortes influências militares, e uma visão crítica sobre o ambiente de negócios brasileiro, especialmente em relação à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Gomes atribui seu sucesso a uma disciplina rigorosa, adquirida em uma família com tradição militar. Essa característica, segundo ele, o preparou para tomar decisões difíceis e estar pronto quando as oportunidades surgem. Ele valoriza o trabalho árduo e a busca constante por conhecimento, preferindo ler um livro a se distrair com entretenimento, mesmo que isso represente um sacrifício no curto prazo.
Em entrevista recente, o empresário expressou forte crítica à escala 6×1 e a outras regulamentações trabalhistas, argumentando que elas aumentam a informalidade e dificultam a geração de empregos formais. Para Gomes, a burocracia e os altos encargos trabalhistas no Brasil criam um ambiente hostil para o empreendedorismo, inibindo investimentos e inovação. Ele também alerta para os impactos da automação e da inteligência artificial no mercado de trabalho, ressaltando a necessidade de preparar os profissionais para as transformações futuras. Essas declarações foram divulgadas pela Gazeta do Povo, como parte de uma série sobre empreendedores que prosperam apesar dos desafios do país.
A força da disciplina militar no sucesso empreendedor
A disciplina, para Tallis Gomes, não é apenas um hábito, mas a base de sua filosofia de trabalho. Ele afirma ter uma disciplina muito maior do que a média das pessoas, o que o permitiu estar preparado quando a sorte lhe sorriu. Essa mentalidade o leva a fazer escolhas que podem parecer ruins no curto prazo, mas que geram resultados significativos a longo prazo, como a dedicação intensa ao trabalho em detrimento de momentos de lazer.
Críticas contundentes à CLT e aos entraves trabalhistas
Gomes é um crítico ferrenho da CLT, a qual considera que engessa o setor produtivo e desestimula a geração de empregos formais. Ele aponta que, para cada R$ 1 pago a um empregado, é preciso desembolsar outros R$ 0,80 para o governo em encargos. Essa carga tributária elevada, segundo o empreendedor, faz com que o Estado ganhe mais do que o próprio trabalhador em muitas relações trabalhistas, um cenário que ele considera disfuncional e um grande obstáculo para o desenvolvimento econômico.
Ele também critica a discussão em torno do fim da escala 6×1, classificando-a como eleitoreira. Para Gomes, o mercado é adaptável e regulamentações impostas por meio de canetadas podem gerar mais informalidade, afetando especialmente setores com margens de lucro apertadas, como comércio e serviços. Ele prevê que, se novas regras mais restritivas forem aprovadas, muitos negócios podem falir, enquanto outros recorrerão à automação e à inteligência artificial para se manterem competitivos.
Automação, IA e a necessidade de adaptação no mercado de trabalho
O empreendedor ressalta que a automação e a inteligência artificial representam as maiores oportunidades de adaptação da história, mas alerta que essa transformação ocorre em velocidade acelerada, sem preparar adequadamente o trabalhador. Ele também critica as regulamentações propostas para entregadores de aplicativos, ouvindo de muitos profissionais que os encargos reduziriam significativamente sua renda.
Startups de sucesso e a meta ambiciosa da G4
As primeiras iniciativas de Gomes, Easy Taxi e Singu, foram focadas em trabalhadores autônomos, conectando prestadores de serviço a clientes. A Easy Taxi, fundada em 2011, chegou a ter 500 mil motoristas e 20 milhões de usuários, superando a Uber em seu auge, e foi vendida em 2017. A Singu, lançada em 2015, foi adquirida pela Natura. Sua atual empresa, a G4, fundada em 2019, já atendeu 87 mil empresas e tem a meta de ajudar a gerar um milhão de empregos até 2030, com 764 mil já criados.
Instabilidade institucional e regulatória como freio ao desenvolvimento
Tallis Gomes também expressa preocupação com a insegurança institucional e regulatória no Brasil, que, em sua visão, é o principal obstáculo ao empreendedorismo. A incerteza sobre a manutenção das regras dificulta o planejamento de longo prazo e inibe investimentos. Ele cita como exemplo as mudanças nas regras do Perse, programa de auxílio a eventos, que foram reduzidas pela gestão atual, afetando empresas que dependiam desse suporte.
Questionado sobre como sua empresa estaria sob o modelo fiscal do governo atual, com uma dívida pública equivalente a 80% do PIB e projeção de chegar a 100% em cinco anos, Gomes foi direto: “Minha empresa estaria literalmente em recuperação judicial”. Essa declaração reforça sua visão de que o Estado gasta demais, gerando distorções que dificultam a criação de grandes empresas inovadoras no país.