Oposição venezuelana exige novas eleições presidenciais para restaurar a democracia
Em um pronunciamento vindo do exílio na Espanha, o opositor venezuelano Edmundo González Urrutia declarou neste sábado (30) que “chegou o momento” para a realização de novas eleições presidenciais na Venezuela. Ele busca com isso alcançar uma “democracia real” no país, afastando-se do cenário atual marcado por acusações de manipulação eleitoral.
Urrutia, que se autodenomina o “último presidente eleito da Venezuela”, com base nas eleições de 2024, as quais ele alega ter vencido apesar das contestações oficiais, afirmou em sua conta na rede social X que “nenhuma pressão poderia apagar” sua legitimidade. Com essa autoridade, ele defende a necessidade de um novo pleito “verdadeiramente livre”.
“É o momento de realizar eleições presidenciais que sirvam como instrumento de mudança”, declarou Urrutia em um vídeo divulgado. Ele enfatizou a importância da supervisão do processo eleitoral por “árbitros” internacionais, garantindo assim a lisura e a transparência do pleito. A declaração surge como um forte chamado à ação para a comunidade internacional e para as forças democráticas internas.
Apoio à liberdade e à democracia
Além de defender novas eleições presidenciais, o ex-diplomata venezuelano também expressou apoio incondicional à liberdade dos presos políticos. Ele mencionou especificamente a líder opositora e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, que também reivindica a realização de uma nova votação. Essa união de forças visa pressionar o governo atual por mudanças significativas.
“Não estou sozinho”, afirmou Urrutia, destacando a unidade da oposição. Ele ressaltou a recente reunião em Caracas, onde Machado e outras forças democráticas da Venezuela se encontraram com um “único propósito: a liberdade da Venezuela”. Essa colaboração demonstra a determinação do grupo em buscar um futuro democrático para o país.
Eleições de 2024 e a batalha pelas atas
Edmundo González Urrutia, aos 75 anos, foi o candidato da Plataforma Unitária Democrática (PUD), a principal coalizão de oposição venezuelana, nas eleições presidenciais de 28 de julho. A PUD alega ter reunido mais de 85% das atas eleitorais, coletadas por meio de testemunhas e mesários. Segundo a coalizão, esses documentos comprovam que Urrutia foi o vencedor do pleito.
No entanto, o governo bolivariano acusa a oposição de apresentar documentos falsos. Essa disputa em torno da veracidade das atas eleitorais evidencia a profunda polarização política e a desconfiança no processo eleitoral venezuelano. A oposição insiste na necessidade de novas eleições para sanar as irregularidades percebidas.