Operação Wi-Fi Livre: Polêmica na SP de Ricardo Nunes envolve filme de Bolsonaro e contrato milionário

Operação Wi-Fi Livre: Polêmica na SP de Ricardo Nunes envolve filme de Bolsonaro e contrato milionário

Resumo

Polícia de São Paulo investiga contrato de internet gratuita e levanta suspeitas de motivação política

Uma operação policial deflagrada em 1º de junho de 2026, em São Paulo, está no centro de uma polêmica que envolve a Prefeitura, um instituto ligado à produtora de um filme sobre Jair Bolsonaro e um contrato de R$ 108 milhões para a oferta de internet gratuita na cidade. A ação, denominada Wi-Fi Livre, busca apurar supostas irregularidades na execução do acordo.

A Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo negou que a operação tenha motivação política, afirmando que a ação é uma resposta a uma ordem do Ministério Público. No entanto, a ligação do instituto investigado com a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro gerou acusações de perseguição política por parte de aliados do ex-chefe do Executivo e do prefeito Ricardo Nunes.

As investigações concentram-se em questionamentos sobre o cumprimento das metas estabelecidas no contrato e o uso de verbas públicas. Conforme apurado pela Gazeta do Povo, as suspeitas recaem sobre a entrega de um número inferior de pontos de internet gratuita do que o previsto no acordo. As autoridades buscam esclarecer se houve falhas na prestação do serviço e se os recursos foram aplicados de forma adequada.

Investigação aponta falhas em contrato de internet gratuita da Prefeitura de São Paulo

A operação Wi-Fi Livre tem como foco principal um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil. O acordo, no valor de R$ 108 milhões, previa a instalação de 5 mil pontos de internet gratuita em diversas regiões da capital paulista. Contudo, as investigações preliminares indicam que apenas 3,2 mil pontos teriam sido efetivamente entregues.

Essa discrepância levanta sérias dúvidas sobre o cumprimento das obrigações contratuais por parte do instituto e a correta aplicação do dinheiro público. A polícia busca identificar se houve falhas na execução do serviço e possíveis desvios de recursos, visando garantir a transparência e a legalidade na gestão dos contratos municipais.

Suspeitas de perseguição política e o filme sobre Jair Bolsonaro

A polêmica em torno da operação Wi-Fi Livre ganhou contornos políticos devido à presidência do Instituto Conhecer Brasil. A entidade é comandada por Karina Ferreira da Gama, que também lidera a produtora responsável pelo filme ‘Dark Horse’, documentário que narra a trajetória de Jair Bolsonaro. Essa conexão levou aliados do ex-presidente e o prefeito Ricardo Nunes a sugerirem que a ação policial poderia ser uma tentativa de atingir figuras ligadas ao movimento político conservador.

Essa narrativa sugere que a operação estaria sendo utilizada como ferramenta para prejudicar opositores políticos, sob o pretexto de uma investigação técnica. A alegação de perseguição política adiciona uma camada de complexidade à apuração, que, segundo os delegados, tem como base apenas fatos e evidências.

Delegados defendem autonomia da investigação e negam motivação política

Em resposta às acusações de perseguição política, André Santos Pereira, presidente da Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo, ressaltou a natureza técnica e independente da atuação policial. Ele enfatizou que a polícia é uma instituição de Estado e não de governo, agindo estritamente sob ordens do Ministério Público.

Segundo Pereira, os policiais cumpriram uma determinação judicial, baseada em uma investigação técnica que apontava indícios de irregularidades. A autonomia da polícia para agir quando provocada pela Justiça foi reforçada, afastando qualquer possibilidade de direcionamento político na operação Wi-Fi Livre.

Críticas apontam “pesca probatória” e defesa do instituto

Críticos da operação, incluindo defensores do Instituto Conhecer Brasil, levantam a tese de “pesca probatória”. Este termo jurídico refere-se a uma busca por evidências sem um alvo definido, numa tentativa de encontrar qualquer crime que possa incriminar determinados indivíduos. Alegam que o verdadeiro objetivo da operação seria obter acesso a dados relacionados à produção do filme sobre Bolsonaro, e não apenas investigar o contrato de internet.

Em sua defesa, a Prefeitura de São Paulo declarou que está colaborando com as autoridades e que efetuou pagamentos apenas pelos pontos de internet que foram comprovadamente instalados e estão em funcionamento. O Instituto Conhecer Brasil, por sua vez, afirmou que suas atividades estão em conformidade com as normas do terceiro setor e que a gestão de diferentes empresas pela mesma pessoa não configura ilegalidade. Ambos os lados negam veementemente qualquer desvio de recursos ou privilégios contratuais.

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