EUA pressionam Brasil por combate mais duro ao PCC e CV, enquanto Brasília defende soberania nacional
Os Estados Unidos elevaram o tom contra as principais facções criminosas brasileiras, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), classificando-as como organizações terroristas. Essa medida, que entra em vigor nesta sexta-feira (5), busca oferecer ao governo americano mais ferramentas para o combate, incluindo restrições de visto e bloqueio de bens.
Em entrevista à Gazeta do Povo, Amanda Roberson, porta-voz em português do Departamento de Estado americano, destacou que a nova designação é parte de uma estratégia mais ampla de proteção à segurança nacional dos EUA. Ela afirmou que o país já registrou atividades do PCC e CV em 12 estados americanos, como Nova York, Nova Jersey, Massachusetts e Flórida.
Roberson citou um exemplo ocorrido no ano passado em Massachusetts, onde 18 brasileiros imigrantes em situação irregular, ligados ao PCC, foram presos por operar uma rede de venda de fentanil e armas. A porta-voz enfatizou que os EUA não permitirão a expansão dessas redes em seu território e que as designações visam, principalmente, sufocar os recursos financeiros e de apoio das facções.
Critérios e Ferramentas contra o Crime Organizado
A decisão de classificar PCC e CV como organizações terroristas baseou-se na extrema violência demonstrada por esses grupos e na expansão de suas atividades para além das fronteiras brasileiras. Roberson explicou que a designação confere aos EUA poderes significativos, como a proibição de vistos para membros das facções, a possibilidade de deportação e o bloqueio de todos os seus bens em território americano.
Além disso, a medida torna crime qualquer transação ou fornecimento de apoio e recursos por parte de cidadãos ou entidades americanas para essas organizações. O objetivo, segundo Roberson, é estrangular os meios que permitem que o PCC e o CV operem suas redes criminosas tanto no hemisfério quanto nos Estados Unidos.
Reação Brasileira e Coordenação Bilateral
Em resposta à medida americana, o governo brasileiro reiterou a defesa da “soberania nacional inegociável” e rejeitou “qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos”. A declaração brasileira também criticou a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos Estados Unidos para defender, segundo Brasília, “intervenção estrangeira no Brasil”.
A porta-voz americana, no entanto, ressaltou que a prioridade dos EUA é a proteção de seu país e que incentivam o Brasil a adotar medidas mais rigorosas. Roberson afirmou que Washington está coordenando com o governo Lula em muitos aspectos de segurança, mas que os Estados Unidos sempre colocarão sua segurança em primeiro lugar. Ela mencionou que pelo menos nove agências americanas estão trabalhando com autoridades brasileiras dentro do Brasil, indicando uma cooperação contínua.
Cooperação e Desafios Compartilhados
Apesar das divergências pontuais, os Estados Unidos reconhecem a importância da cooperação com o Brasil, dadas as economias fortes e o compartilhamento do hemisfério, o que implica também o compartilhamento do desafio do crime organizado. Roberson reiterou o desejo de ver o Brasil tomar medidas mais enérgicas para defender sua segurança nacional e eliminar as ações de grupos que causam violência tanto no Brasil quanto nos EUA.
A inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas faz parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump, que já designou 17 grupos criminosos e cartéis no Hemisfério Ocidental desde o início de seu mandato. Essa abordagem visa garantir a segurança dos Estados Unidos e da região como um todo.