Alerta Máximo: Super El Niño de 2026 Ameaça Inflação de Alimentos e Agro com Secas e Chuvas Intensas no Brasil

Alerta Máximo: Super El Niño de 2026 Ameaça Inflação de Alimentos e Agro com Secas e Chuvas Intensas no Brasil

Resumo

Super El Niño em 2026: Risco Iminente para a Inflação e o Agronegócio Brasileiro

As chances de um “Super El Niño” em 2026, com intensidade sem precedentes, têm aumentado nas projeções meteorológicas. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) aponta para um cenário preocupante, que acende um alerta vermelho no setor agrícola brasileiro. Este fenômeno pode agravar as dificuldades enfrentadas pelos produtores, que já lidam com o encarecimento de insumos e alto endividamento.

O impacto combinado dessas adversidades climáticas e econômicas representa uma ameaça real de reverter o recente alívio na inflação de alimentos. Além disso, a infraestrutura logística do país, já deficitária, será severamente testada. A instabilidade climática global que o El Niño pode desencadear eleva o risco de secas, chuvas excessivas e ondas de calor em importantes regiões produtoras, afetando diretamente a produtividade e os preços agrícolas, conforme destaca um relatório da Hedgepoint Global Markets.

O El Niño é causado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, elevando as temperaturas globais e alterando a distribuição de umidade. No Brasil, essa dinâmica tende a se traduzir em chuvas intensas no Sul e estiagem severa no Norte e Nordeste, com irregularidade hídrica no Centro-Oeste e Sudeste. Essa assimetria compromete o calendário de plantio, exigindo adaptações rápidas e investimentos em irrigação. As informações são do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e de análises de mercado.

Projeções Alarmantes para o Super El Niño

A mais recente projeção do ECMWF, divulgada em 1º de maio, indica que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico, pode atingir um aumento de cerca de 3,2°C até o final do ano. Este patamar é superior aos 2,8°C projetados anteriormente e coloca o evento previsto para os próximos meses no patamar dos mais intensos episódios de Super El Niño da história, com potencial para rivalizar ou superar eventos como o de 1997-1998, que atingiu cerca de 2,8°C. Luiz F. Nachtigall, da MetSul Meteorologia, afirma que tal aquecimento pode colocar o evento entre os três mais fortes desde o século 19.

Impactos Setoriais e na Inflação

O Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) também passou a indicar a formação de um El Niño intenso, com 61% de probabilidade de surgir entre maio e junho e persistir até o final de 2026. Para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027, as chances de um evento moderado a muito forte permanecem elevadas. Isabella Pliego, analista da Biond Agro, alerta que um El Niño mais organizado eleva a instabilidade climática ao longo da próxima safra (2026/27).

No Sul do Brasil, o risco aumenta para excesso hídrico, doenças nas lavouras, perda de qualidade e dificuldades operacionais. No Centro-Oeste e Sudeste, a irregularidade na retomada das chuvas, oscilações térmicas e dificuldade em manter um padrão produtivo uniforme se tornam os principais desafios. No Norte e Nordeste, o risco de estresse hídrico volta a ser uma preocupação. Carolina Giraldo, analista da StoneX, ressalta que a irregularidade espacial e temporal das precipitações é o maior desafio para o agronegócio no curto prazo.

A possível frustração produtiva no campo transfere a pressão de custos diretamente para os supermercados. O mercado financeiro projeta uma inflação de 4,89% em 2026, mas analistas apontam que o fator climático pode adicionar até 0,8 ponto percentual a esse índice. André Braz, coordenador do FGV Ibre, observa que, mesmo sem a guerra no Irã, o preço dos alimentos já tenderia a aumentar devido ao efeito do El Niño na distribuição e volume das chuvas.

Histórico de Prejuízos e Crises

Episódios recentes de El Niño já causaram perdas de safra, mortes e prejuízos bilionários. Entre 2015 e 2016, um dos El Niños mais severos causou uma queda de 9,5% na safra nacional de grãos, com o milho sofrendo uma redução de 19,1%. O El Niño de 1997/98, considerado extremo, gerou prejuízos globais estimados entre US$ 35 bilhões e US$ 45 bilhões. No Brasil, esse evento levou a uma retração de 2,3% na produção nacional de grãos e a uma crise humanitária no Nordeste devido à seca.

Mais recentemente, no ciclo de 2023, o El Niño afetou a infraestrutura, paralisando rotas de escoamento pelos rios amazônicos e danificando estradas no Sul, elevando o custo do frete agrícola em até 57%. O fenômeno foi responsável por adicionar 2,25 pontos percentuais à inflação dos alimentos em 2024. A nota técnica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforça que a redução de chuvas no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste pode prejudicar o plantio e desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho na safra de verão. Na região Sul, o excesso de chuva pode causar encharcamento, doenças fúngicas e impactar a qualidade e colheita.

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