André Ventura, a estrela das eleições presidenciais portuguesas, desafia o status quo e mira a presidência com discurso polêmico.
Portugal vive um momento político de grande atenção com a realização de um segundo turno nas eleições presidenciais, algo que não ocorria há 40 anos. Em um cenário onde o cargo de presidente tem caráter mais simbólico, a figura que roubou a cena foi André Ventura, fundador do partido Chega. Ele obteve 24,6% dos votos, ficando atrás apenas do socialista André Seguro, que alcançou 31%.
A alta participação, com quase 50% dos eleitores indo às urnas, demonstra a relevância do pleito. Ventura, conhecido por sua postura combativa e por declarações fortes, fez campanha com o slogan “Salvar Portugal”. Sua trajetória é marcada por confrontos diretos com figuras políticas internacionais, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Foi em 2023, ainda como deputado, que André Ventura ganhou notoriedade no Brasil ao chamar Lula de “bandido” em pronunciamento no parlamento português. A declaração, que gerou interrupções e censura de colegas, viralizou e solidificou sua imagem como um crítico ferrenho do petista. Conforme informação divulgada na fonte, Ventura declarou: “Compreendemos a fúria e a angústia de milhões de brasileiros ao verem seu país governado por um bandido”.
A rivalidade com Lula e o discurso conservador
As críticas de André Ventura a Lula não se limitaram a escândalos de corrupção. O político português também questionou o alinhamento geopolítico do presidente brasileiro, criticando sua proximidade com a Rússia e a hesitação em condenar ditaduras sul-americanas. Em declarações anteriores, Ventura afirmou, antes de uma visita de Lula a Portugal: “Lula da Silva deve ser condenado por sua proximidade com a Rússia e pela incapacidade de ver o sofrimento do povo ucraniano, contrário à diplomacia que Portugal tem feito e bem, no âmbito europeu, pela sua proximidade à China, pela sua hesitação em condenar as ditaduras sul-americanas que tanta dor, pobreza e sofrimento têm causado, mas sobretudo e acima de tudo, pelo nível de corrupção que representa”.
Em dezembro de 2025, Ventura reiterou sua posição em uma entrevista na TV portuguesa, declarando que teria “dificuldade” em receber Lula, pois “não gosta de estar com ladrões”. Ele complementou: “Se tivesse que estar pelas empresas portuguesas, fá-lo-ia, mantendo esta lógica, de que não gosto muito de estar com ladrões”. Essa postura reforça seu discurso de “ordem e progresso” e o alinha a outros líderes conservadores, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que o apoiou em eleições anteriores.
Trajetória política e propostas de Ventura
Nascido em 15 de janeiro de 1983, André Ventura iniciou sua carreira política no Partido Social Democrata (PSD). Eleito vereador, deixou o partido em 2018, sentindo-se “traído”, e fundou o Chega em 2019. Em 2021, candidatou-se à Presidência de Portugal, ficando em terceiro lugar. Formado em direito e com doutorado em direito público, Ventura se define como “liberal na economia e conservador nos costumes”.
Suas propostas incluem uma reforma constitucional com a redução do número de deputados, a castração química ou física para condenados por crimes sexuais contra crianças, prisão perpétua e aumento de pena para corruptos. Ele também defende a limitação de cargos de governo a cidadãos portugueses e o fim da “ideologia de gênero”. Seu discurso de segurança e controle de fronteiras, afirmando que em Portugal deveriam entrar apenas “aqueles que amam o país”, também marca sua plataforma.
O impacto de André Ventura no cenário político português
A ascensão de André Ventura e do partido Chega representa uma mudança significativa no panorama político de Portugal. Sua retórica direta e suas posições firmes em temas como imigração e segurança atraem um eleitorado que busca alternativas aos partidos tradicionais. A disputa em segundo turno contra André Seguro definirá os rumos do país nos próximos anos, com a figura de Ventura como um dos protagonistas.
O político, que também atuou como professor universitário e comentarista esportivo, demonstrou habilidade em mobilizar eleitores com um discurso que ressoa com preocupações sobre criminalidade, corrupção e soberania nacional. Acompanhar a evolução de sua carreira e suas propostas é fundamental para entender as dinâmicas políticas atuais em Portugal.