Advogados de Bolsonaro pedem mais tempo para preparar defesa antes de depoimento sobre arma apreendida
A defesa de Jair Bolsonaro protocolou um pedido junto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a remoção da limitação de tempo para as reuniões entre o ex-presidente e seus advogados. O objetivo é garantir uma preparação adequada para o depoimento marcado para a próxima terça-feira (23).
O depoimento, que ocorrerá de forma presencial, se refere à apreensão de uma arma de fogo registrada em nome de Bolsonaro, encontrada em posse de um membro de sua equipe de segurança. A decisão sobre a flexibilização do tempo de reunião ainda não foi tomada pelo ministro.
A solicitação da defesa argumenta que a medida é crucial para o pleno exercício da ampla defesa, permitindo a necessária interlocução entre o ex-presidente e seus patronos antes do ato. A oitiva ocorre em meio ao período de 90 dias de prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, concedida para recuperação de broncopneumonia.
Arma de Bolsonaro em posse de sargento gera investigação e tensão institucional
O caso da arma apreendida teve início durante uma blitz de trânsito, quando um sargento cedido ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e que atuava na segurança de Bolsonaro foi abordado. A arma, registrada em nome do ex-presidente, foi encontrada no veículo do militar.
Em seu depoimento inicial, o sargento alegou que pegou a pistola para realizar um conserto e que a devolveria no dia seguinte. No entanto, a situação escalou para o campo institucional, com a Polícia Civil relatando dificuldades em cumprir a intimação pessoal de Bolsonaro, pois a equipe de escolta teria impedido a efetivação do ato.
Prisão domiciliar de Bolsonaro e recuperação médica
A prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro foi autorizada por Alexandre de Moraes em 24 de março de 2026, com prazo inicial de 90 dias, a contar da sua alta hospitalar por broncopneumonia. A decisão previa reanálise após o período, incluindo a possibilidade de perícia médica.
Durante o período de recuperação em casa, Bolsonaro também passou por uma cirurgia no ombro direito para tratar uma lesão no manguito rotador. Relatórios médicos recentes indicam que ainda persistem restrições nos movimentos do ombro e alterações residuais na base do pulmão esquerdo.
Preocupação com a ampla defesa antes do depoimento
A defesa de Bolsonaro reforça que o tempo adequado para conversa com os advogados é essencial para que o ex-presidente possa prestar um depoimento esclarecedor e se defender adequadamente. A expectativa é que Moraes atenda ao pedido para garantir o direito constitucional à ampla defesa.
A oitiva sobre a arma apreendida é mais um capítulo na série de investigações que envolvem o ex-presidente. A forma como a defesa se preparará para este depoimento, com ou sem a flexibilização do tempo de reunião, será determinante para os próximos desdobramentos do caso.