Confiança no STF em Mínima Histórica: Caso Master e Desgaste Ampliado Pressionam Ministros

Confiança no STF em Mínima Histórica: Caso Master e Desgaste Ampliado Pressionam Ministros

Resumo

STF em Crise: Confiança Popular Atinge Mínimo Histórico com Escândalo Master

Seis em cada dez brasileiros não confiam mais no trabalho e nos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Este é o maior patamar de desconfiança registrado desde o início da série histórica da pesquisa AtlasIntel, divulgada em parceria com o Estadão. A percepção negativa, segundo juristas ouvidos, está diretamente ligada à repercussão do caso Master, que quase 75% dos entrevistados afirmaram conhecer detalhes.

A falta de credibilidade se estende à imparcialidade dos magistrados. O levantamento aponta que 60% dos ouvidos não acreditam que os processos sejam julgados de forma justa e que todos os investigados sejam tratados igualmente pela Corte. Essa desconfiança, embora alarmante, é ainda maior em relação ao Congresso Nacional, com 86% de desaprovação, e semelhante ao governo federal, com 59% de desconfiança.

Para juristas como Enio Viterbo, o escândalo do Master foi um divisor de águas, derrubando a credibilidade do STF. Ele aponta a conduta de ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli como fatores cruciais, e destaca que a cobertura da grande mídia ampliou o alcance dessa desaprovação para além da chamada “bolha da direita”. Conforme informação divulgada pela AtlasIntel, a pesquisa foi realizada entre 16 e 19 de março de 2026, com 2.090 pessoas, margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Caso Master: O Epicentro da Desconfiança no STF

A opinião pública demonstra forte ceticismo em relação ao julgamento do caso Master pelo STF. Cerca de 53% dos entrevistados acreditam que o processo de liquidação do banco não deveria ser julgado pela Corte. Além disso, 66% suspeitam de envolvimento direto de ministros e 62% percebem excesso de sigilo no caso. A percepção de interferência externa é ainda maior, com quase 77% acreditando que fatores políticos, partidários ou de grupos poderosos influenciam as decisões.

Kátia Magalhães, consultora jurídica, concorda que o caso Master impactou significativamente a imagem do STF. Ela lembra que em alguns momentos de 2023, a confiança no Supremo era alta, chegando a 47% em abril, período marcado por prisões em massa no contexto dos inquéritos de 8 de janeiro. No entanto, o caso Master, com sua ampla repercussão midiática, atingiu um público mais vasto.

Magalhães ressalta que a grande mídia, ao noticiar o caso Master, alcançou diferentes camadas da população, rompendo o que antes era uma desaprovação mais restrita. Essa ampla divulgação fez com que o Judiciário fosse percebido como “nada confiável”, minando a ideia de que a Justiça está sendo aplicada de forma imparcial.

Pressão sobre Ministros e Avaliações Desiguais

A pesquisa revela uma pressão considerável sobre o ministro Dias Toffoli, com 49,3% dos entrevistados defendendo seu impeachment imediato. Outros 33,7% defendem a destituição apenas se seu envolvimento no escândalo for comprovado. Enio Viterbo, contudo, argumenta que todos os magistrados compartilham responsabilidade pela situação atual, mencionando a “conivência” de quase todos os ministros, citando como exemplo a reunião secreta sobre a suspeição de Toffoli, onde ele já teria oito votos para permanecer na relatoria.

Kátia Magalhães aponta uma possível falha metodológica na pesquisa, ao não aprofundar a avaliação sobre a atuação de Alexandre de Moraes, que aparece com uma imagem positiva de 37%, apesar de sua proeminência em diversas decisões. A desaprovação de Gilmar Mendes é a mais alta entre os ministros citados, com 67% de percepção negativa, superando Moraes, com 59%. Nunes Marques, por outro lado, mesmo com decisões menos notórias, tem baixa aprovação, com apenas 22% de visão positiva.

A jurista considera “surpreendentemente positiva” a aprovação de Flávio Dino (40%) e Mendonça (43%), questionando como esses índices se mantêm diante de decisões controversas. Ela sugere que a população pode não estar totalmente informada sobre todas as decisões sensíveis tomadas nos últimos anos, o que preservaria a imagem positiva de alguns ministros.

Eleições para o Senado e o Futuro da Confiança Institucional

Enio Viterbo vê nas eleições para o Senado uma oportunidade de mudança. Ele acredita que a diminuição do poder do Centrão e o fortalecimento da direita na Casa poderiam limitar a influência de figuras como o presidente do Senado, que, segundo ele, arquiva pedidos de impeachment de ministros do STF com a conivência do Centrão. Uma denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, poderia iniciar um processo de responsabilização, mas Viterbo considera isso improvável, descrevendo Gonet como “praticamente um assessor” de Moraes e Gilmar.

Kátia Magalhães é menos otimista. Embora reconheça que a inércia parlamentar afeta a confiança (86% de desaprovação do Congresso), ela observa que a população já demonstra pouca fé em mudanças, como na transição da presidência do TSE. A pesquisa indica que 29% acham que a mudança na presidência do TSE será para melhor, 20% que ficará igual, 19% que piorará e 30% que é cedo para opinar.

Magalhães aposta em um alto nível de abstenção nas eleições deste ano, pois as pessoas desconfiam da capacidade dos parlamentares de promoverem mudanças efetivas. Ela lembra que discursos sobre a mudança no comando do TSE não foram absorvidos pela população. A frustração com a atuação de parlamentares e instituições reduz a confiança no voto como ferramenta de transformação.

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