Irã intensifica controle no Estreito de Ormuz e eleva o tom contra EUA e aliados na região
O Irã anunciou a implementação de um “novo sistema jurídico e de segurança” no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para o comércio global de energia. A medida, que entrou em vigor em 28 de fevereiro, segundo informações, sinaliza um controle mais rigoroso sobre a passagem estratégica.
O porta-voz do Exército iraniano, general de brigada Mohammad Akraminia, declarou à agência de notícias Irna que países que aderirem às sanções impostas pelos Estados Unidos contra o Irã “certamente enfrentarão problemas ao atravessar o Estreito de Ormuz”. Essa advertência eleva a tensão na região e gera preocupações sobre a estabilidade do fornecimento global de petróleo.
A declaração iraniana indica que o país exerce agora um controle “fundamental e estratégico” sobre o estreito, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, além de importantes volumes de gás natural e outras matérias-primas essenciais. Conforme reportado, essa nova postura visa neutralizar sanções americanas, tanto primárias quanto secundárias.
Ameaças ao Bahrein e a resolução na ONU
A escalada de tensão também se manifestou em ameaças diretas a outras nações. O chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento do Irã, Ebrahim Azizi, advertiu o Bahrein, em 9 de março, sobre o risco de fechar o Estreito de Ormuz “para sempre”. Essa declaração ocorreu após o Bahrein, em conjunto com os Estados Unidos, apresentar um projeto de resolução na ONU contra a República Islâmica, devido a bloqueios na via marítima.
Azizi alertou o país árabe do Golfo Pérsico para “não fechar para sempre as portas do Estreito de Ormuz”, em resposta ao projeto de resolução que visa defender a liberdade de navegação e exige que o Irã cesse ataques, colocação de minas e cobrança de pedágios. O texto conta com o apoio de Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Sanções e a resposta americana
As restrições impostas pelo Irã no Estreito de Ormuz começaram a ser sentidas desde 28 de fevereiro, coincidindo com o início de conflitos envolvendo Israel e os EUA, o que chegou a impulsionar os preços do barril de petróleo para mais de US$ 100. Em resposta, Washington implementou um bloqueio naval sobre portos e navios iranianos a partir de 13 de abril.
O objetivo americano é pressionar o Irã a assinar um acordo de paz, algo que ainda não foi alcançado. A Casa Branca aguarda a resposta iraniana à sua última proposta. Houve trocas de ataques entre as partes em 7 e 8 de março, apesar de um cessar-fogo estabelecido em 8 de abril.
Confrontos e o impacto global
Os Estados Unidos informaram ter bombardeado instalações militares na costa iraniana em retaliação a ataques contra seus navios no Estreito de Ormuz. Por outro lado, o Irã alegou ter lançado mísseis após dois petroleiros iranianos terem sido atacados previamente. Essa dinâmica de confrontos e retaliações aumenta a preocupação com a segurança do tráfego marítimo internacional.
A situação no Estreito de Ormuz é de extrema sensibilidade, dada a sua importância estratégica para a economia mundial. Qualquer interrupção significativa no fluxo de petróleo por essa via pode gerar instabilidade nos mercados globais e impactar o custo de vida em diversas partes do mundo. A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, buscando evitar uma escalada maior do conflito.