Justiça de Goiás mantém decisão contra superintendente do Iphan em ação contra Caiado por cavalhódromo em Pirenópolis

Justiça de Goiás mantém decisão contra superintendente do Iphan em ação contra Caiado por cavalhódromo em Pirenópolis

Resumo

Justiça goiana confirma rejeição de ação movida por superintendente do Iphan contra Ronaldo Caiado

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) manteve a extinção de uma ação movida pelo superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Goiás, Gilvane Felipe, contra o então governador Ronaldo Caiado. O acórdão da 5ª Câmara Cível foi assinado na última quinta-feira (3).

O caso remonta a 14 de setembro de 2025, em Pirenópolis (GO), onde Caiado acusou Gilvane de criar obstáculos para a implantação de um novo Cavalhódromo na cidade, alegando motivações de “inveja” e “perseguição” política. Segundo o ex-governador, a ação do superintendente seria uma estratégia articulada por seu antecessor, Marconi Perillo (PSDB), para prejudicá-lo.

Em resposta, Gilvane Felipe alegou que seu nome estava sendo usado para impulsionar a candidatura do vice-governador Daniel Vilela. Ele buscou uma indenização por danos morais, inicialmente pedindo R$ 50 mil, valor que posteriormente reduziu para R$ 30 mil. Conforme divulgado pelo TJGO, a decisão final favoreceu a argumentação de Caiado, mantendo a extinção do processo iniciado por Felipe.

Rejeição em primeira instância baseada em tese do STF

Na primeira instância, o juiz J. Leal de Sousa acatou o argumento preliminar de Caiado e não analisou o mérito da suposta ofensa. A decisão fundamentou-se no tema 940 de repercussão geral do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece que ações por danos causados por agentes públicos no exercício da função devem ser direcionadas contra o Estado, e não contra o agente diretamente.

Gilvane Felipe teve a oportunidade de corrigir sua petição inicial, substituindo Caiado pelo governo de Goiás, mas optou por não o fazer. Ele apresentou precedentes que, segundo sua visão, justificariam a legitimidade passiva de Caiado, mas o magistrado considerou os casos distintos, pois tratavam de falas em redes sociais ou desvinculadas do mandato. No episódio em questão, Caiado discursou em ato oficial e sobre matéria de governo.

“Ao discorrer sobre os motivos pelos quais a obra não havia sido concluída ou iniciada, o requerido estava, inegavelmente, tratando de matéria de governo, o que caracteriza o exercício de atribuições inerentes ao cargo de Governador”, argumentou o juiz em sua sentença, citando trecho da própria petição inicial onde Gilvane admitia a natureza pública do ato.

Segunda instância mantém a decisão e discute prova antecipada

Na segunda instância, os desembargadores analisaram não apenas a questão da legitimidade passiva, mas também a possibilidade de julgamento antecipado do processo. O relator, Gilmar Luiz Coelho, entendeu que, havendo material suficiente para a decisão e sem potencial de alteração do quadro com novas provas, o juiz pode julgar antecipadamente.

“Não há nulidade, especialmente porque o ordenamento processual não assegura às partes a produção irrestrita de todas as provas requeridas, mas apenas daquelas que se mostrem úteis à adequada resolução da controvérsia”, afirmou o relator em seu voto. A decisão reforçou a impossibilidade de prosseguimento da ação contra Caiado individualmente.

Imunidade parlamentar descartada e contexto histórico do Cavalhódromo

Um dos argumentos invocados por Caiado, a imunidade parlamentar, foi descartado pelos desembargadores, que entenderam que essa prerrogativa se aplica especificamente a membros do Poder Legislativo. A ação do Iphan contra o então governador, portanto, não pôde se beneficiar dessa defesa.

O cavalhódromo em Pirenópolis foi interditado pelo corpo de bombeiros em 2021 e demolido em 2025. A construção de um novo espaço enfrentou dificuldades adicionais devido à pandemia de Covid-19. Desde então, o Iphan e o governo goiano têm mantido tensões relacionadas ao projeto, que culminaram nas declarações de Caiado e na subsequente ação judicial de Gilvane Felipe.

A reportagem entrou em contato com ambas as partes para manifestação. O espaço segue aberto para novas declarações sobre o caso.

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