Lula se declara “indignado” com operação militar dos EUA contra Nicolás Maduro na Venezuela.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou profunda indignação com a recente operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro na Venezuela. A declaração ocorreu durante um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), onde Lula criticou veementemente a ação.
“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar”, afirmou o presidente, descrevendo sua perplexidade com a intervenção americana. Ele questionou a falta de respeito à integridade territorial de um país soberano, ressaltando que a América do Sul é um território de paz.
A posição de Lula contrasta com a abordagem de alguns aliados, mas reforça a defesa da soberania nacional e do direito internacional. A fala do presidente foi divulgada em meio a discussões sobre a política externa brasileira e as relações diplomáticas na América Latina. Conforme informação divulgada pelo próprio presidente, a ação americana é vista como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”.
Ações militares americanas e a reação de Lula
Lula detalhou sua visão sobre o ocorrido, imaginando um cenário de ataque surpresa. “Os caras entram à noite na Venezuela, vão ao quartel onde morava Maduro e o levam embora”, disse, criticando a falta de respeito à soberania venezuelana. Ele enfatizou que, apesar de os países latino-americanos não possuírem armas nucleares, eles não se curvarão a nenhuma potência estrangeira.
“A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai abaixar a cabeça para ninguém. Quem quer que seja, a gente vai conversar olho no olho, de cabeça em pé, respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania”, declarou Lula, demonstrando a firmeza da posição brasileira.
Relação tensa e reaproximação com Maduro
A relação entre Lula e Maduro passou por momentos de distanciamento, especialmente após as eleições venezuelanas de 2024, marcadas por acusações de fraude e repressão a protestos. O Brasil havia cobrado a divulgação de atas de votação, embora tenha enviado sua embaixadora à cerimônia de posse de Maduro.
No entanto, no final de 2023, uma conversa sigilosa por telefone entre Lula e Maduro sinalizou uma reaproximação. O diálogo, revelado pelo jornal O Globo, abordou o aumento da tensão regional devido às ações militares dos Estados Unidos. O objetivo teria sido retomar o diálogo com o regime chavista e buscar a desescalada da situação.
Defesa da soberania e do multilateralismo
Lula ressaltou que atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é um caminho perigoso para a instabilidade global. “É o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, alertou o presidente.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), anfitrião do evento, também se manifestou após a operação americana, acusando Washington de tentar “monopolizar o petróleo venezuelano” e agradecendo o apoio de Maduro à “causa” venezuelana. A declaração de Lula ecoa a defesa da soberania e da não intervenção, pilares da política externa brasileira.