Relações Perigosas: O Grupo de Lulinha e o Ministério da Saúde Sob Investigação
O nome de Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, figura em mensagens trocadas entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. Essas comunicações, interceptadas pela Polícia Federal, apontam para uma articulação que visava facilitar o acesso de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, ao Ministério da Saúde.
O objetivo principal, segundo as investigações, seria fechar um contrato milionário para a venda de um composto de maconha medicinal. Berger, uma figura histórica do PT, ocupou o posto de número dois no Ministério da Saúde até o início de 2025, mantendo proximidade com o presidente Lula em sua atual função no Gabinete Pessoal da Presidência.
Embora não seja formalmente investigado, o envolvimento de Berger em conversas que indicam possíveis influências políticas em negociações milionárias levanta sérias questões. A Polícia Federal analisa essas mensagens e depoimentos no inquérito que apura ligações entre Lulinha, Luchsinger e o “Careca do INSS”, este último apontado como peça central em um esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas do INSS. As informações são baseadas em reportagens divulgadas pela revista Veja e confirmadas pela Gazeta do Povo.
Berger: Da Secretaria-Executiva da Saúde ao Gabinete Presidencial
Berger, que tem uma longa trajetória ao lado de Lula, ocupou a Secretaria-Executiva da Saúde, o segundo cargo mais importante da pasta, entre 2023 e 2025. Foi durante esse período que a PF apurou supostas relações com o “Careca do INSS” e com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Após deixar a Saúde, Berger foi realocado para trabalhar diretamente com o presidente.
Novas mensagens extraídas do celular de Roberta Luchsinger revelaram a organização de um encontro em março de 2024, que envolveria ela, Lulinha, o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), e o próprio Berger. Em uma das mensagens, Roberta informa: “Pousei. Vou lá no Berge”. Lulinha responde: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bj pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”. Roberta reforça a importância do contato: “Precisamos 100% do Berger”.
Lulinha e Roberta são investigados por tráfico de influência. Um dos casos apurados envolve a suposta atuação deles para viabilizar a venda, sem licitação, de 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao Ministério da Saúde, por R$ 626 milhões. A intenção seria explorar uma brecha na legislação que obriga o governo a adquirir compostos de maconha para pacientes do SUS com decisões judiciais favoráveis.
Visitas do “Careca do INSS” e a Versão de Berger
Registros na portaria do Ministério da Saúde indicam que Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, esteve cinco vezes na Secretaria-Executiva da Saúde entre 2024 e 2025, quando Berger ocupava o cargo. Em 2025, ele se identificou como presidente de uma empresa do setor de cannabis. O destino de suas visitas era o gabinete da Secretaria-Executiva.
O nome de Berger também aparece em mensagens atribuídas ao “Careca do INSS”. Em novembro de 2024, Antunes teria repassado a um interlocutor que “Berger já está com aquela orientação em mãos”. Em dezembro do mesmo ano, em um grupo ligado à empresa de Antunes, o empresário teria anunciado “reunião com Berger às 10h30”, compromisso que não constava na agenda oficial. Berger nega irregularidades e confirma ter recebido Antunes em seu gabinete, mas afirma que as tratativas não prosperaram, pois o SUS não possui produtos à base de cannabis em sua lista de medicamentos.
Luchsinger, Lulinha e os Pagamentos Suspeitos
As apurações da PF indicam que Roberta Luchsinger recebeu pagamentos de Antunes totalizando R$ 1,5 milhão, divididos em cinco parcelas de aproximadamente R$ 300 mil, entre novembro de 2024 e março de 2025. Os valores foram enviados para uma empresa de consultoria ligada à lobista e ao seu pai.
Em uma das transações, Antunes teria respondido ao seu contador sobre o destinatário do dinheiro com a expressão “o filho do rapaz”, interpretada pela PF como uma possível referência a Lulinha. A defesa de Roberta nega irregularidades e afirma que Lulinha não realizou trabalho relacionado a esses pagamentos. A defesa de Lulinha, por sua vez, reconhece que ele viajou a Portugal com Antunes para conhecer uma fábrica de medicamentos à base de cannabis, mas nega qualquer parceria comercial ou contrato formal.
O Ministério da Saúde, em nota, reforçou que nunca houve possibilidade de contratação de canabidiol, pois o produto não é incorporado ao SUS. A pasta afirma que não compra nem fornece o medicamento e que não há, nem nunca houve, qualquer contrato ou discussão formal sobre sua oferta na rede pública.