Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas se movem em articulação política junto a ministros do STF pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciaram uma série de contatos com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana. O objetivo principal é sensibilizar os magistrados para a possibilidade de concessão de uma prisão domiciliar humanitária para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra detido.
Michelle Bolsonaro teve um encontro presencial com o decano da Corte, ministro Gilmar Mendes. Embora o motivo exato da reunião não tenha sido divulgado oficialmente, a conversa ocorreu em meio à articulação pela situação do ex-presidente. A informação sobre o encontro foi antecipada pela coluna de Andreia Sadi, do G1, e confirmada pelo gabinete do ministro.
Paralelamente, Tarcísio de Freitas realizou ligações a pelo menos quatro ministros do STF na quarta-feira, segundo informações de correligionários. O governador e a ex-primeira-dama buscam apresentar um quadro de piora na condição de Bolsonaro e, ao mesmo tempo, apostam em um possível desconforto de parte dos ministros com a manutenção da prisão em regime fechado para o ex-mandatário. Conforme apurado, o gesto de Tarcísio também visa reforçar seu vínculo com Bolsonaro, após especulações sobre sua participação mais discreta na campanha de Flávio Bolsonaro. A defesa de Bolsonaro já recorreu também à Comissão Interamericana de Direitos Humanos buscando a prisão domiciliar.
Moraes mantém posição sobre a prisão de Bolsonaro no STF
O ministro Alexandre de Moraes, relator de diversos processos envolvendo o ex-presidente, tem mantido uma postura firme quanto à manutenção da prisão de Jair Bolsonaro. Ele já recusou diversas vezes os pedidos da defesa para o relaxamento do regime fechado e a concessão de prisão domiciliar. A decisão mais recente foi a determinação da transferência de Bolsonaro para um espaço conhecido como Papudinha, na sede da Polícia Federal. A assessoria de imprensa do STF informou que o ministro se manifesta apenas por meio dos autos processuais.
Histórico da detenção e pedidos de liberdade negados
Jair Bolsonaro esteve em prisão domiciliar entre os dias 4 de agosto e 22 de novembro. Sua prisão preventiva ocorreu após alegações de que ele teria tentado violar o funcionamento de sua tornozeleira eletrônica, utilizando um ferro de solda. A detenção está ligada a um inquérito que apura a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No dia 25 de novembro, Alexandre de Moraes encerrou uma ação penal relacionada à suposta tentativa de golpe de Estado, determinando o cumprimento imediato da pena de 27 anos e três meses de prisão para Bolsonaro. Apesar disso, a defesa do ex-presidente apresentou múltiplos pedidos de prisão domiciliar humanitária, todos negados pelo ministro Moraes.
A articulação pela prisão domiciliar humanitária
A estratégia de Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas envolve **sensibilizar os ministros do STF** para a situação humanitária de Jair Bolsonaro. A ideia é destacar o estado de saúde do ex-presidente e argumentar que a prisão em regime fechado se tornou inadequada. A articulação busca explorar a possibilidade de que alguns ministros da Corte, mesmo sem concordar publicamente, possam ter ressalvas quanto à manutenção da prisão em moldes atuais. A **prisão domiciliar humanitária** é o foco central dos apelos, visando um regime menos rigoroso que o atual.
O papel de Gilmar Mendes e outros ministros na decisão
O encontro de Michelle Bolsonaro com Gilmar Mendes é visto como um movimento estratégico, considerando a influência do decano no STF. Tarcísio de Freitas, por sua vez, busca ampliar o alcance da articulação, contatando outros ministros que poderiam estar abertos a discutir a questão da **prisão domiciliar de Bolsonaro**. A movimentação indica uma tentativa de construir um consenso ou, ao menos, obter apoio suficiente para que a defesa de Bolsonaro consiga avançar em seus pedidos perante o Supremo Tribunal Federal.