Toffoli: Mudanças em Decisões sobre Provas na Operação Compliance Zero Geram Polêmica e Reações

Toffoli: Mudanças em Decisões sobre Provas na Operação Compliance Zero Geram Polêmica e Reações

Resumo

Toffoli Alterou Decisões Sobre Provas na Operação Compliance Zero Três Vezes em Um Dia

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou uma série de mudanças em suas decisões acerca das provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. As alterações ocorreram em um intervalo de aproximadamente 24 horas, gerando surpresa e questionamentos.

As reviravoltas nas determinações vieram após intensas críticas de investigadores, formalizações de pedidos pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), além de debates técnicos sobre a condução da perícia. O cenário se desenrolou em meio a uma tensão entre o STF e as autoridades por supostos atrasos no cumprimento de ações.

A controvérsia começou quando, logo após a deflagração da operação, Toffoli determinou que todos os bens, documentos e eletrônicos apreendidos fossem enviados diretamente para a sede do STF e mantidos sob sigilo até nova ordem. A intenção, segundo seu gabinete, era preservar o material para perícia. Essa informação foi divulgada conforme apurado pela fonte.

Primeira Mudança: Do STF para a Orientação de Carga e Desconexão

Inicialmente, a determinação de Toffoli foi que todo o material apreendido na Operação Compliance Zero fosse lacrado e enviado para o STF. O objetivo declarado era garantir a preservação das provas para perícia futura pelas autoridades competentes. Contudo, a medida gerou apreensão.

Diante da estranheza e das preocupações sobre a possibilidade de acesso remoto aos dispositivos eletrônicos, o gabinete de Toffoli emitiu uma nova orientação à Polícia Federal. A recomendação era que os celulares e computadores apreendidos fossem mantidos carregados e, crucialmente, desconectados da internet. Essa instrução visava mitigar riscos técnicos enquanto se aguardava a perícia.

Reação da PF e PGR Leva a Novo Recuo do Ministro

A ordem de centralizar as provas no STF provocou uma forte reação dentro da Polícia Federal. Delegados expressaram surpresa e alertaram sobre o risco de destruição remota de dados, o que poderia prejudicar significativamente a investigação. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitou formalmente que Toffoli reconsiderasse a decisão, levantando também dúvidas sobre a capacidade técnica do STF para realizar perícias digitais complexas.

Paralelamente, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também pediu a revisão da determinação. Gonet defendeu que a extração e análise das provas fossem realizadas pela própria PGR, argumentando que isso permitiria a “formação adequada da opinião ministerial” sobre os crimes investigados e o envolvimento de cada parte. A fonte destaca esses pedidos formais.

Nova Alteração: Provas Enviadas para a PGR, com Acesso da PF

Em resposta aos pedidos, Toffoli recuou pela primeira vez e determinou que o material apreendido fosse enviado à PGR para análise. Segundo o ministro, essa medida possibilitaria ao órgão “ter uma visão sistêmica dos supostos crimes de grandes proporções”.

No entanto, a história não parou por aí. Na quinta-feira, 15 de fevereiro, uma nova mudança ocorreu. Toffoli autorizou que a Polícia Federal também tivesse acesso às provas, mesmo com o material sob custódia da PGR. Ele permitiu que quatro peritos, indicados nominalmente por ele, acompanhassem a extração e a perícia dos dados.

Itens Apreendidos e Conexões Familiares na Investigação

Entre os itens apreendidos na Operação Compliance Zero estão bens de alto valor, como carros de luxo, relógios e dinheiro em espécie, além de um revólver. Os alvos da investigação incluem o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, seus familiares e empresários ligados a fundos de investimento.

Um detalhe que chamou atenção foi a ligação de um familiar do banqueiro com um resort administrado por parentes de Dias Toffoli. Essa conexão adiciona uma camada de complexidade às movimentações do ministro no caso. As informações sobre os itens apreendidos e as conexões foram detalhadas pela fonte consultada.

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