Moraes cobra PF: 44 posts ligando Bolsonaro ao canibalismo entram na mira do STF após atraso de dois anos

Moraes cobra PF: 44 posts ligando Bolsonaro ao canibalismo entram na mira do STF após atraso de dois anos

Resumo

Alexandre de Moraes pressiona a Polícia Federal por informações sobre posts polêmicos envolvendo Bolsonaro e canibalismo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal (PF) apresente, em um prazo de cinco dias, os dados de autoria de 44 postagens que associaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prática de canibalismo. A decisão, assinada nesta terça-feira (28), remonta à campanha eleitoral de 2022 e surge após um longo período de inatividade no caso.

O processo estava paralisado desde fevereiro de 2025, quando a secretaria da Corte registrou que a corporação havia perdido o prazo para fornecer as informações solicitadas. A demora gerou um novo impulso na investigação, com o STF buscando agilizar a identificação dos responsáveis pelas publicações.

As postagens em questão ganharam força após uma entrevista de Bolsonaro ao jornal americano The New York Times em 2016. Na ocasião, o então deputado federal relatou, ao visitar uma comunidade indígena, ter sido informado sobre o preparo de um corpo para consumo, afirmando que comeria “o índio sem problema nenhum”, pois “é a cultura deles”. A declaração, posteriormente, foi alvo de interpretações e debates acalorados.

A polêmica declaração de Bolsonaro e a defesa apresentada

A controvérsia se intensificou com a veiculação de anúncios publicitários durante a campanha eleitoral de 2022. Uma propaganda televisiva do PT, por exemplo, utilizou a fala de Bolsonaro de forma descontextualizada, gerando forte reação. A defesa do ex-presidente argumentou que a declaração demonstrava “a deferência à cultura indígena, despida de críticas impertinentes a atos e tradições das comunidades tradicionais”.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a concordar com a tese de descontextualização, entendendo que a fala de Bolsonaro se referia a uma experiência específica dentro de uma cultura distinta, e não a uma intenção pessoal em qualquer circunstância. Mesmo assim, a ordem de remoção de uma propaganda ligada a esse episódio foi expedida.

Investigação sobre as 44 postagens e o papel do TSE

As 44 postagens investigadas circularam principalmente entre o dia do segundo turno das eleições de 2022, em 30 de outubro, e 10 de janeiro de 2023, já após a posse do presidente Lula (PT). O levantamento dessas publicações foi realizado pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED/TSE).

Na época, ainda como presidente do TSE, Alexandre de Moraes expediu ordens para que as plataformas X (antigo Twitter), Facebook e YouTube removessem o conteúdo, sob pena de multa diária de R$ 100 mil por hora de descumprimento. A ação visava conter a disseminação de informações consideradas falsas ou distorcidas.

PGR e PF: a busca por responsáveis e o prazo perdido

Após a remessa do caso ao STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou à PF uma planilha detalhada com os nomes, CPFs e outros dados relevantes dos usuários responsáveis pelas postagens. O objetivo era possibilitar o processamento criminal dos envolvidos.

No entanto, a PF não atendeu ao pedido dentro do prazo estabelecido, o que motivou a nova cobrança de Alexandre de Moraes. A expectativa é que, com a nova determinação, a Polícia Federal agilize a entrega das informações para que as investigações possam prosseguir e os responsáveis pelas 44 postagens sejam identificados.

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