PF pede que Daniel Vorcaro deixe cela especial após rejeição de segunda delação; banqueiro pode ir para cela comum

PF pede que Daniel Vorcaro deixe cela especial após rejeição de segunda delação; banqueiro pode ir para cela comum

Resumo

Polícia Federal solicita retirada de Daniel Vorcaro de cela especial após delação rejeitada

A Polícia Federal (PF) protocolou um pedido junto ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, seja retirado da cela especial onde está detido em Brasília. A solicitação ocorre após a rejeição da segunda proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa de Vorcaro.

A decisão da PF baseia-se na constatação de que a nova proposta de delação não trouxe avanços significativos para as investigações, nem apresentou informações inéditas ou provas concretas que corroborassem os relatos do banqueiro. A reportagem apurou que o pedido foi formalizado junto à oficialização da rejeição da proposta, que não contribuiu para o avanço das apurações frente às provas já existentes.

Caso o ministro Mendonça acate o pedido da PF, Daniel Vorcaro poderá ser transferido para uma cela comum na própria Superintendência da Polícia Federal, para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, ou retornar à Penitenciária Federal de Brasília. Conforme apurado, a defesa de Vorcaro foi procurada para comentar a solicitação da PF, mas ainda não retornou. A PF já possui acesso a oito celulares de Vorcaro, além de documentos e mensagens obtidos durante as investigações.

Histórico de negociações e transferências de Vorcaro

Daniel Vorcaro foi inicialmente encaminhado para o presídio federal após sua segunda prisão, ocorrida em meados de março. Poucos dias depois, iniciou tratativas para uma primeira proposta de colaboração premiada, o que lhe rendeu o benefício de ser transferido para uma cela especial na sede da PF, com acesso diário a seus advogados. Contudo, essa primeira proposta foi rejeitada em maio.

Após a negativa inicial, Vorcaro chegou a ser movido para uma cela comum dentro da mesma superintendência. A situação foi revertida dias depois com a sinalização de um novo acordo, após a saída do advogado José Luis Oliveira Lima e a entrada do criminalista Sérgio Leonardo na condução do caso. A expectativa era de que a nova delação trouxesse informações relevantes para as investigações.

Segunda delação rejeitada por falta de novidade e provas

A Polícia Federal concluiu que a segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro não apresentou informações inéditas capazes de contribuir de forma relevante para as investigações. Os investigadores avaliaram que o material entregue não trouxe elementos de prova que permitissem confirmar os relatos apresentados pelo banqueiro. A corporação entende que grande parte das informações oferecidas pelo investigado já era de conhecimento ou estava previamente mapeada pelos órgãos responsáveis pelo caso.

Relatórios analisados pela PF indicam que os anexos entregues não apresentaram fatos suficientemente novos nem provas de sustentação capazes de justificar o prosseguimento das negociações. A avaliação é de que o material buscou mais justificar relações e favores concedidos a integrantes da classe política do que confessar crimes ou abrir novas frentes de investigação. As primeiras informações sobre a nova delação apontam negociações de Vorcaro com o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, sobre uma possível doação de R$ 20 milhões para sua candidatura ao Senado em 2022, e também suas relações com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria recebido uma mesada de R$ 500 mil e uma viagem de férias aos Alpes Franceses em 2025.

Investigações sobre Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é investigado sob suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras e corrupção de agentes públicos em benefício próprio e do Banco Master. As acusações incluem lesão a correntistas, investidores e fundos de previdência ligados a estados e municípios. A PF busca, com as investigações, desarticular a atuação do banqueiro e de seus supostos cúmplices.

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