Prefeito de SP nega irregularidades em contrato de Wi-Fi com ONG ligada a filme de Bolsonaro

Prefeito de SP nega irregularidades em contrato de Wi-Fi com ONG ligada a filme de Bolsonaro

Resumo

Ricardo Nunes defende contrato de Wi-Fi e afasta suspeitas de irregularidades

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB-SP), veio a público nesta segunda-feira (1º) para negar veementemente qualquer irregularidade em um contrato firmado entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A Organização Não Governamental (ONG) é alvo de investigações da Operação Wi-Fi Livre SP, que apura possíveis fraudes em um acordo inicialmente orçado em R$ 108 milhões e que, com aditivos, alcançou R$ 157,1 milhões. Segundo as apurações, cerca de R$ 26 milhões teriam sido pagos sem a devida contrapartida de serviços.

Em entrevista coletiva, Nunes declarou que, até o momento, não foram identificadas falhas no processo. Ele assegurou que solicitou revisões do contrato em duas ocasiões na última semana e que sua equipe garantiu a inexistência de problemas na contratação. O objetivo do acordo, segundo o prefeito, é expandir a conectividade para áreas mais carentes e remotas da capital paulista.

O chefe do executivo municipal também contestou dados apresentados sobre a quantidade de pontos de internet. Ele esclareceu que a prefeitura não remunerou a instalação de 5 mil pontos, mas sim de 3,2 mil, dos quais mais de 3 mil estariam em pleno funcionamento. A declaração busca rebater alegações de que a administração pública teria pago por serviços não prestados ou em quantidade superior à contratada.

Contrato passou por chamamento público e órgãos de controle, afirma prefeito

Ricardo Nunes enfatizou que o contrato com o ICB foi resultado de um chamamento público, um procedimento que visa garantir a transparência e a concorrência. Além disso, ele ressaltou que o acordo contou com o acompanhamento dos órgãos de controle, o que, em sua visão, reforça a lisura do processo. A meta, conforme reiterado, é levar acesso à internet de qualidade a comunidades e regiões mais distantes da cidade.

O prefeito também abordou as suspeitas de superfaturamento, que apontavam um custo de aproximadamente R$ 1,8 mil por ponto de internet para o ICB. Nunes rebateu essa informação, afirmando que a Prodam, empresa pública de tecnologia do município, não conseguiria executar o serviço por um valor tão baixo. Ele apresentou dados indicando que a pesquisa de preços realizada revelou custos mais elevados, chegando a R$ 2 mil por ponto, e que o valor pago atualmente é de R$ 1.280. “Hoje, estamos pagando R$ 1.280. ‘Ah, a Prodam comprava R$ 200, R$ 300’. Nunca aconteceu isso, não existe isso”, declarou o prefeito.

Prefeito sugere motivação política em investigações devido a ligação com filme

Ricardo Nunes rejeitou qualquer possibilidade de direcionamento na escolha do ICB. Ele explicou que o chamamento público permaneceu aberto por 30 dias e que nenhuma outra organização apresentou proposta para o projeto, indicando que o ICB foi a única entidade interessada em executá-lo.

Ao comentar a investigação, o prefeito levantou a hipótese de que a apuração possa ter influências políticas. Ele mencionou a ligação de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora de um filme sobre Jair Bolsonaro, com o ICB. Nunes considerou a coincidência temporal entre a investigação e essa ligação como motivo de questionamento sobre as motivações por trás da operação. “Se eventualmente a questão é política, eu acho que é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia. Se estão fazendo isso por conta do filme, aí eu acho grave”, declarou.

Para reforçar sua argumentação sobre a ausência de relação entre o contrato e a produção cinematográfica, Ricardo Nunes destacou que a contratação do ICB ocorreu em junho de 2024. Já a comunicação oficial sobre as gravações do filme à SPCine só foi feita em outubro de 2025. Diante disso, ele concluiu que “não existe relação por parte da prefeitura de São Paulo” entre o acordo da ONG e o filme em questão.

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